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Proibição de plástico de uso único na UE não leva em conta os bioplásticos

Os novos limites de proibição de plástico de uso único da UE podem impedir as empresas de desenvolver inovações sustentáveis.

bioplásticos

A crise do plástico é uma das questões ambientalmente mais urgentes que o mundo deve enfrentar. A produção acelerada após a Segunda Guerra Mundial e o consumismo descartável originalmente estimularam os fabricantes a fazer plásticos descartáveis ​​na forma de talheres, balões e caixas para viagem. Após seu uso, esses plásticos muitas vezes acabam poluindo os oceanos e pondo em perigo a vida selvagem local, que costuma confundir microplástico com alimento. Certos polímeros podem levar de 200 a 400 anos para se degradar, tornando o nível de poluição preocupante em uma perspectiva global.

Para combater a proliferação plástico, o Parlamento Europeu aprovou uma diretiva em 2019 para esse fim. A ‘Diretiva de Plásticos de Uso Único’, aprovada em 3 de julho de 2021, visa proibir dez dos tipos de plástico mais comuns encontrados nas praias europeias até 2021, bem como reduzir significativamente o número de copos e recipientes de plástico até 2028. A diretiva está de acordo com as considerações circulares sobre resíduos. Como tal, está integrado na Estratégia de Plásticos da UE, que visa tornar todas as embalagens de plástico recicláveis ​​até 2030, garantindo que os produtos de plástico em uso não só sejam reciclados, mas também concebidos tendo em vista o controle da poluição.

Como potência mundial, a UE está levando a sério seu compromisso com uma economia circular global, suas medidas – consideradas algumas das mais duras do mundo – já elevaram as taxas de reciclagem na UE para impressionantes 41,5%, o que é três vezes tanto quanto a taxa de reciclagem dos EUA.

No entanto, a proibição do uso único, conforme previsto atualmente pela UE, pode sufocar as tentativas de produzir soluções sustentáveis ​​para lidar com os resíduos de plástico. Isto tem a ver com a forma como a diretiva define a palavra “plástico”. Como tal, o termo abrange não apenas plásticos de base fóssil, mas todos os plásticos que foram quimicamente modificados – incluindo os plásticos de base biológica e biodegradáveis ​​comuns. A definição em questão é tão ampla que tecnicamente se estende aos ovos fritos, uma vez que o processo de aquecimento faz com que o ovo sofra modificações químicas, resultando em substâncias que a diretiva chamaria de “plástico”.

Bioplásticos de base biológica provenientes de materiais vegetais, como amido de milho, têm sido elogiados por não dependerem de combustíveis fósseis, enquanto os bioplásticos biodegradáveis ​​que podem ser totalmente ‘compostáveis’ ganharam ímpeto por deixar para trás ‘resíduo zero’. Preservar recursos finitos por meio de experimentos com os plásticos mencionados anteriormente é uma forma pela qual a indústria de embalagens plásticas vem avançando na busca por um futuro sustentável. A nova definição de plásticos ameaça dificultar as inovações de produtos, especialmente considerando que a próxima onda de legislação relevante que poderia introduzir alterações só deve ocorrer em 2027.

A partir de agora, os estados membros estão trabalhando em uma reforma da Responsabilidade Estendida do Produtor, com países individuais considerando impostos específicos para embalagens plásticas.

A menos que esses países se unam para garantir o uso contínuo de plásticos sustentáveis, este novo regime de plástico pode levar a uma purga de plástico que pode deixar fabricantes e clientes em apuros.

Fonte: WMW – Waste Management World

Traduzido e adaptado por Renata Mafra

renata@saneamentobasico.com.br