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Pior surto de cólera do mundo, no Iêmen, teve origem no leste da África

Publicado em 04/01/2019 às 10:34:21

Cientistas descobriram que a cepa de cólera responsável pela epidemia no Iêmen – a pior já registrada – teve origem no leste da África e provavelmente foi transportada por migrantes.

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Imagem de microscópio mostra “vibriões coléricos”

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Por meio de técnicas de sequenciamento de genoma, pesquisadores do Instituto Wellcome Sanger, do Reino Unido, e do Instituto Pasteur, da França, disseram ser agora capazes de melhor estimar o risco de futuros surtos de cólera em regiões como o Iêmen, dando mais tempo para intervenção das autoridades. “Saber como a cólera se move globalmente nos dá a oportunidade de melhor nos preparar para surtos futuros“, disse Nick Thomson, professor no Sanger e na London School of Hygiene and Tropical Medicine, parceira na pesquisa. Após quatro anos de guerra entre uma coalizão liderada pela Arábia Saudita e o grupo Houthi apoiado pelo Irã, os sistemas de saneamento e de saúde ficaram gravemente prejudicados no Iêmen, onde 1,2 milhão de casos suspeitos de cólera foram reportados em 2017, com 2.515 mortes.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) alertou em outubro passado que o surto está voltando a se acelerar, com cerca de 10.000 novos casos suspeitos sendo relatados por semana, o dobro da média dos primeiros oito meses de 2018. Para pesquisar as origens do surto, as equipes dos institutos Sanger e Pasteur sequenciaram os genomas de bactérias de cólera coletadas no Iêmen e em áreas vizinhas.

Cólera – o que é:

Uma bactéria chamada Vibrio cholerae é a responsável por causar a infecção de cólera. Essa bactéria libera uma toxina chamada CTX, que se liga às paredes intestinais, onde ela interfere diretamente no fluxo normal de sódio e cloreto do organismo. Essa alteração faz com que o corpo secrete grandes quantidades de água, levando à diarreia e a uma rápida perda de fluidos e de sais importantes, os chamados eletrólitos. A transmissão de cólera é fecal-oral e se dá basicamente por meio de água e alimentos contaminados pelas fezes ou pela manipulação de alimentos por pessoas infectadas. A infecção pela bactéria costuma acontecer após uma pessoa consumir água, frutos do mar, frutas e legumes crus e alguns grãos contaminados, como arroz e milho, por exemplo.

O tratamento eficiente da cólera se fundamenta na rápida reidratação dos pacientes, por meio da administração oral de líquidos e solução de sais de reidratação oral (SRO) ou fluidos endovenosos, dependendo da gravidade do caso. Em aproximadamente 80 % dos casos, os sintomas da cólera são leves ou moderados e devem ser tratados somente por meio da administração oral de líquidos e SRO (planos A e B), ou seja, soro. Os pacientes que apresentarem desidratação grave devem ser tratados por meio da administração de fluidos endovenosos (plano C), podendo ser administrados, adicionalmente, antibióticos apropriados para diminuir a duração da diarreia, reduzir o volume de fluidos de reidratação necessário e encurtar a duração da excreção da bactéria.


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