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O desenvolvimento de um MBR com membranas cerâmicas de baixo custo

O projeto REMEB permitiu desenvolver um MBR cerâmico, ecológico e competitivo

 

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Onze empresas, entidades e organismos da União Européia (UE) desenvolveram um novo biorreator de membranas (MBR).

Se trata de um dispositivo dotado de membranas cerâmicas de baixo custo, elaboradas a partir de materiais reciclados, que permite, mediante filtração, reutilizar a água em estações de tratamento de efluentes (ETEs), tanto urbanos como industriais.

A iniciativa faz parte do projeto europeu REMEB (Recycled Membrane Bioreactor), um projeto financiado pelo programa de pesquisa e inovação Horizonte 2020 da UE que, com uma verba de 2,3 milhões de euros, teve início em setembro de 2015 e terminará em agosto de 2018.

Projeto REMEB

O projeto REMEB permitiu desenvolver um MBR cerâmico, ecológico e competitivo, elaborado a partir de matérias primas, subprodutos cerâmicos e resíduos agroindustriais, que pode ser utilizado em estações de tratamento de efluentes municipais e industriais.

Os onze parceiros do projeto REMEB são: a empresa espanhola FACSA como coordenadora do projeto, o Instituto de Tecnologia Cerâmica da Universitat Jaume I (ITC-UJI) de Castellón, Espanha, a empresa de engenharia francesa Imeca Process, a consultoria cipriota Atlantis Consulting, a companhia norueguesa Biowater, o Conselho das Câmaras de Comércio da região de Valência na Espanha, o laboratório de pesquisa e projetos ambientais de Castellón (IPROMA) na Espanha, o Centro Cerâmico da Itália, o centro de pesquisa em cerâmica (SAM) da Turquia, a Universidade Antonio Ariño da Colômbia e a entidade de gestão de efluentes da região de Murcia (ESAMUR) da Espanha.

“Vimos que havia um nicho de mercado e enfocamos criar membranas cerâmicas para substituir os polímeros que se utilizam hoje em dia, já que têm menor durabilidade e resistência em comparação com este novo produto”, explicou Juan Antonio Llopis, responsável da área de saneamento e tratamento da Facsa.

O projeto será replicado em escala piloto em outros países

Efetivamente, estas novas membranas são mais econômicas com relação às poliméricas, o que supõe uma significativa economia nos custos das estações de tratamento de efluentes. Entre outras vantagens, Elena Zuriaga, técnica de P&DI da Facsa e coordenadora do projeto, ressaltou também que “apresentam melhores propriedades químicas, térmicas e mecânicas, o que permite que as membranas trabalhem em condições mais severas e que podem ser aplicados procedimentos de limpeza mais agressivos”. Além disso, o catedrático em Engenharia Química e pesquisador do ITC Enrique Sánchez certificou que “a água obtida através desse sistema tem qualidade excelente”.

No momento a fabricação das membranas está concentrada na empresa espanhola Natucer, porém, o projeto será replicado em escala piloto em outros países como Turquia e Itália.

O diretor técnico da Natucer, Javier Rubert, reconheceu que o projeto estabeleceu um desafio para a empresa, que teve que adaptar o seu processo de produção. Rupert também ressaltou que, apesar das membranas cerâmicas no princípio estarem sendo fabricadas nas instalações da empresa na Espanha, “se trata de um projeto exportável para todo mundo, que pode ser aplicado para tratar tanto os efluentes urbanos como industriais”.

O MBR REMEB será validado na ETE de Aledo em Murcia na Espanha com a finalidade de reutilizar a água para regas em uma zona com escassez de água.

Maiores informações sobre o projeto REMEB podem ser obtidas no site www.remeb-h2020.com.

Fontes: Aguas Residuales e REMEB, adaptado por Portal Tratamento de Água