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O Biomassa BR traz uma entrevista exclusiva com Mario Coelho, Presidente da ABBM

ABBM firmou parceria com o CIBIO 2017 & 2ª EXPOBIOMASSA, para fortalecer o setor de Biogás e Biometano no Brasil

– Biomassa BR: Como você avalia a realização da COP21 final do ano passado em Paris, e seus resultados concretos até o final deste ano?

A COP21 iniciou com a triste divulgação de que até dezembro de 2015 não havíamos conseguido impedir a tendência do aumento da temperatura média global de 2ºC. O maior resultado da COP21 foi o do compromisso assumido pelos EUA e China com relação ao estabelecido no artigo 2, letra (a), do acordo, o de atingir um aquecimento global bem abaixo de 2 ºC, limitado a 1,5 ºC acima dos níveis pré-industriais. Após as eleições dos EUA esta meta ficou comprometida. O que era esperança passou a ser uma grande incerteza, pois o Presidente Trump estimulará a energia “suja” (Carvão, Gás de Xisto, Petróleo) em detrimento da “limpa”. Portanto o ano fechará com mais incertezas com relação ao aquecimento global do que quando começou.

– Na sua opinião o que o Brasil precisa para cumprir as metas e compromissos assumidos no encontro de Paris?

O nosso “Pré-Sal” está em nosso solo agricultável (agricultura, silvicultura), nos resíduos de nosso setor de transformação de alimentos e nos resíduos pós-consumo de alimentos. O Pré-Sal um dia irá acabar, já o Biogás e o Biometano, destas fontes, são intermináveis. O Brasil precisa se concentrar em políticas públicas que possam desenvolver o setor de biogás e biometano. Com isso sobrarão créditos para serem negociados com Países em dificuldades para o cumprimento das metas. O Brasil deve se aproximar da China para estabelecer um mercado de crédito de carbono entre os dois Países. Nosso País é um dos poucos que podem negociar créditos sem que haja prejuízo na contabilização para redução das nossas emissões. Outros Países podem incorrer facilmente no erro da contagem em duplicidade por não possuírem alternativas suficientes para redução das suas emissões. Uma vez que os créditos sejam vendidos, estes não podem mais ser contabilizados para a nação que os emitiu. O Brasil poderá financiar vários projetos se souber conduzir este processo para venda de Certificados.

– Como a ABBM pretende ajudar no desenvolvimento do setor de Biogás e Biometano no Brasil?

Nós percebemos que os principais responsáveis por nossos relatórios, enviados aos Países membros do Acordo de Paris, não conhecem o real potencial de contribuição que o setor de Biogás e Biometano pode dar para a redução das emissões do Brasil e do mundo. O papel da ABBM dentro deste contexto seria o de disseminar o conhecimento básico, à respeito do Biogás e Biometano, nas escolas do ensino fundamental, o conhecimento técnico em escolas técnicas profissionalizantes e estimular a formação superior e a pesquisa e desenvolvimento nas universidades. Com isso teremos recursos humanos suficientes para ocupar o espaço necessário dentro da cadeia de suprimentos, que obrigatoriamente haverá de surgir, para que o setor de biogás e biometano possa se estabelecer em solo brasileiro.

– A associação fechou uma parceria para o CIBIO 2017 – Congresso Internacional de Biomassa. Como você avalia o papel de um evento reconhecido internacionalmente como o CIBIO, e como esta vitrine pode ajudar a discutir um futuro promissor para estas fontes de energia?

Este congresso é importantíssimo por reunir pessoas de todos os setores ligados à energia, para discutir alternativas de geração que não contribuam para agravamento dos efeitos causados pelo aquecimento global. Biomassa é um tema bastante complexo, pois não é responsável somente por geração de energia, mas também pelo armazenamento da mesma. Além disso contempla uma gama de oportunidades na chamada “Petroquímica Verde”. Divulgar todas as alternativas já existentes e as que estão sendo desenvolvidas em P&D à nível nacional e internacional, é o principal papel de eventos como este.

– Para os próximos anos como você avalia a real possibilidade de crescimento e inserção do biogás e Biometano na matriz energética nacional?

O setor está bem movimentado. A demanda por projetos e busca por financiamentos aumentou muito este ano. Existe uma gama muito grande de investimento reprimida em função da falta de conhecimento por parte dos empresários à respeito das tecnologias utilizadas para geração de Biogás e Biometano. Por exemplo, todo novo investimento em frigoríficos poderiam tratar todos os seus resíduos através de uma planta de biogás. Além da falta de conhecimento outro fator que inibe os investimentos são as garantias exigidas pelos bancos. A grande maioria dos agricultores e produtores de animais já possuem financiamentos, que consomem toda a possibilidade destes aportarem outras garantias para o investimento em um planta de biogás. O setor precisa urgente de uma linha exclusiva de financiamento para que mais investimentos em Biogás e Biometano possam ocorrer. É muito confusa a oferta de financiamento para o setor, pois sempre está atrelado à outros objetivos. Financiamento com juros de 8% a.a. e acesso ao FGI (Fundo Garantidor para o Investimento) seria o ideal para que 2017 fosse considerado o marco inicial de investimentos maciços em biogás e biometano.

Maiores informações sobre a ABBM acesse: http://abbiogasemetano.org.br/

Fonte: Biomassa BR