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Novos nanomateriais são usados para descontaminar efluentes da indústria têxtil

Publicado em 27/06/2017 às 09:23:40

Testes realizados com certos nanomateriais à base de óxido de titânio dopado mostram que eles podem tratar efluentes da indústria têxtil

 

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A partir dos resultados obtidos por pesquisadores do grupo COMET-NANO da Universidade Rey Juan Carlos (URJC) e da Universidade de Granada, junto com o grupo de Biomateriais do Instituto Indiano de Tecnologia Química (IICT), se comprovou como a modificação estrutural, textural e de composição dos nanomateriais tão difundidos como o óxido de titânio (atualmente utilizado, por exemplo, em protectores solares como agente de absorção de ultravioleta) leva à obtenção de novos nanosistemas duais.

Estes materiais nanométricos (com tamanho inferior a 100 nanômetros) têm mais do que uma funcionalidade. Neste estudo, os pesquisadores observaram que eles têm tanto aplicações ambientais na descontaminação da água quanto aplicações biológicas avançadas.

“Nós estudamos as propriedades morfológicas dos novos materiais sintetizados, observando sua modificação após dopagem com zinco, que foi determinada por microscopia de transmissão e que tem uma influência fundamental nas propriedades biológicas dos materiais”, explica o Dr. Santiago Gómez Ruiz, coautor principal do estudo, pesquisador da URJC e membro do grupo COMET-NANO.

Aplicações terapêuticas e ambientais

Este estudo, publicado recentemente na revista científica Science of the Total Environment, abre a porta para o desenvolvimento de novos materiais que podem ser modificados de forma racional, a fim de encontrar melhores nanomateriais para uso como terapia local na regeneração de tecidos danificados por lesões cardiovasculares.

Neste sentido, a equipe de pesquisa está trabalhando na preparação de novos nanomateriais similares com características morfológicas e de composição ideais para o seu estudo biológico e sua futura aplicação em humanos.

“Os nanomateriais preparados neste trabalho mostraram que são capazes de aumentar a proliferação celular em células endoteliais que revestem os vasos sanguíneos em estudos in vitro. Também, levam à promoção da formação de novos vasos em modelos animais com base em embriões de frangos, o que é um passo importante neste campo “, destaca o pesquisador da URJC.

Além disso, este trabalho mostrou não só uma possível aplicação terapêutica para estes materiais, mas a sua potencial aplicação ambiental na descontaminação de efluentes de indústrias têxteis.

Esta pesquisa é parte do projeto “Design of innovative functionalized nanomaterials: Exploring their multifunctional applications in catalysis and medicinal chemistry” (CTQ2015-66164-R), financiado pelo Ministério da Economia e Competitividade dentro do programa “Desafios de Pesquisa”, assim como o grupo de excelência QUINANOAP financiado pela Universidade Rey Juan Carlos – Banco de Santander. Pela equipe indiana, este trabalho é financiado pelo programa de bolsas pós-graduação CSIR & DST de New Delhi.

Ensaios com óxido de titânio

Em trabalhos anteriores do grupo COMET-NANO, os pesquisadores já haviam observado que o uso de nanomateriais baseados em óxidos de titânio dopados com zinco é de grande interesse para a química ambiental, pois eles podem ser usados em processos de descontaminação de efluentes de indústrias têxteis (degradação de corantes mediante processos catalíticos ativados por luz UV ou luz visível) ou processos de geração fotocatalítica de hidrogênio por uma transformação catalítica do metanol ativada com luz UV, que pode ser uma alternativa aos combustíveis fósseis para a geração de energia.

“A partir desses estudos, o nosso grupo se propôs a utilizar também sistemas baseados em nanomateriais similares em outras aplicações biológicas, como as que acabamos de publicar nesse último artigo”, acrescenta o Dr. Gómez Ruiz.

Nesse sentido, estas pesquisas verificaram que o óxido de titânio, devidamente modificado, pode se constituir em uma alternativa para o óxido de zinco nanométrico já que também promove a formação de novos vasos sanguíneos.

Fonte: iAgua, adaptado por Portal Tratamento de Água – www.tratamentodeagua.com.br


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