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A mudança climática tornou mais provável a ocorrência de enchentes no Brasil, segundo estudo

A mudança climática tornou mais provável a ocorrência de enchentes no Brasil, segundo estudo

Mudança Climática

As mudanças climáticas tornaram duas vezes mais prováveis as tempestades extremas do final de abril e início de maio, que levaram às inundações destrutivas no Rio Grande do Sul, Brasil.

Por sua vez, o fenómeno El Niño exacerbou o evento e as falhas nas infraestruturas de proteção contra inundações agravaram os seus impactos.

Estas são as conclusões do último estudo publicado no dia 3 de junho, pela World Weather Attribution. Treze cientistas de universidades, órgãos de pesquisa e agências meteorológicas do Brasil, Holanda, Suécia, Reino Unido e Estados Unidos participaram da elaboração.

Chuvas intensas entre 26 de abril e 5 de maio afetaram 90% do Rio Grande do Sul, comparável à área do Reino Unido, causando inundações. Pelo menos 169 pessoas perderam a vida e dezenas continuam desaparecidas. Além disso, mais de 80 mil tiveram de abandonar as suas casas e milhares foram afetados por cortes de energia e escassez de água.

Especialistas compararam inundações sob climas atual e pré-industrial para entender efeitos das alterações climáticas. Para fazer isso, utilizaram dados climáticos, modelos climáticos e métodos revisados ​​por pares.

Concluíram que fortes tempestades são extremamente raras, previstas uma vez a cada 100-250 anos no clima atual. Porém, sem o efeito da queima de combustíveis fósseis, a frequência será ainda menor. Ao combinar observações meteorológicas com os resultados de modelos climáticos, os especialistas estimaram que as alterações climáticas tornaram este evento duas vezes mais provável e entre 6 e 9% mais intenso.

Tempestades fortes são eventos extremamente raros, prevendo-se que ocorram uma vez a cada 100 a 250 anos no clima atual.

Futuro Preocupante

Além disso, olhando para o futuro, os cientistas alertam que este tipo de eventos se tornará mais frequente e destrutivo. Esta análise aponta que, se a temperatura global aumentar 2ºC comparada aos níveis pré-industriais dentro de 20 a 30 anos sem redução nas emissões de GEE, eventos extremos como esses dobrarão em frequência.

Por outro lado, os especialistas confirmaram que o El Niño desempenhou um papel nas inundações no Brasil semelhante ao das alterações climáticas. Estimou-se que o evento teve sua probabilidade aumentada entre 2 e 5 vezes, tornando as chuvas 3 a 10% mais intensas.

Da mesma forma, esta análise concluiu que a falha de infraestruturas críticas, incapazes de conter a chuva acumulada, causou muitos dos danos das cheias. Desta forma, destaca que o fato de a cidade de Porto Alegre não ter sofrido um evento significativo de chuvas extremas até o momento fez com que reduzisse o investimento e a manutenção do seu sistema de proteção contra enchentes.

Os especialistas estimam que as alterações climáticas tornaram este evento duas vezes mais provável e entre 6 e 9% mais intenso.

Isto, aliado à extrema severidade do evento, agravou os impactos das inundações e ressalta a urgência em reavaliar riscos e reforçar infraestruturas contra futuras calamidades ainda mais intensas. Além disso, o desmatamento e a rápida urbanização de cidades como Porto Alegre contribuíram para a crescente exposição da população e para o agravamento dos impactos.

Desmatamento

Além disso, o desmatamento e a rápida urbanização de cidades como Porto Alegre contribuíram para a crescente exposição da população e para o agravamento dos impactos. Embora o Brasil possua leis ambientais para proteger áreas de construção e uso do solo, a inconsistência na aplicação facilita a ocupação de áreas propensas a inundações, elevando os riscos para pessoas e infraestrutura.

Em termos gerais, os cientistas apontaram que o estado é geralmente percebido como uma região rica, mas que ainda apresenta espaços significativos de pobreza e marginalização. Neste quadro, o baixo rendimento foi identificado como um fator significativo dos impactos das cheias. Assim, assentamentos informais, aldeias indígenas e comunidades predominantemente quilombolas (descendentes de africanos escravizados) foram gravemente afetados.

Especialistas observaram que, apesar de previsões e avisos disponíveis uma semana antes, podem não ter alcançado todos em risco durante as chuvas. O público pode não ter compreendido a gravidade dos impactos ou saber que ações tomar em resposta aos anteriores. Por isso, consideram “imperativo” continuar a melhorar a comunicação dos riscos para que conduza a medidas adequadas que salvem vidas.

Fonte: Iagua


 

 

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