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Microestação compacta poderá ofertar saneamento básico de qualidade às regiões carentes de São Paulo

Publicado em 27/11/2020 às 10:31:39

“A microestação de tratamento de esgoto pode ser instalada em terrenos irregulares e regiões de difícil acesso”

 

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Imagem Ilustrativa

 

Maior cidade do Brasil, São Paulo possui 12,3 milhões de habitantes. Destes, 3 milhões de pessoas residem em assentamentos precários: favelas, cortiços e loteamentos, moradias irregulares e até mesmo unidades habitacionais construídas pelo poder público, as quais não possuem saneamento básico adequado, um drama que atinge 1 milhão de residências.

Para ajudar a resolver o problema, Nicola Isidoro Martorano Filho, professor e coordenador de pesquisa da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ), desenvolveu um projeto inovador: a criação de uma microestação de tratamento de esgoto, que pode ser instalada em terrenos irregulares e regiões de difícil acesso. Pela iniciativa, ele foi contemplado com a Medalha São Paulo Apóstolo, na categoria “defesa da promoção da vida e da dignidade humana”.

Inspirado pela laudato SI’

O professor Nicola conta que o projeto da microestação nasceu do desejo de responder a um apelo da encíclica Laudato si’, escrita pelo Papa Francisco em 2015, da qual o pesquisador teve ciência em um encontro promovido pelo Cardeal Odilo Pedro Scherer, Arcebispo Metropolitano, e o então presidente da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp), Jerson Kelman, em fevereiro de 2016.

Nesse encontro, foram discutidas formas de estender os serviços de fornecimento de água e esgotamento sanitário para moradores de áreas irregulares e isoladas.


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“No sistema tradicional, a Sabesp não consegue atender a população que reside em locais onde é difícil implantar a coleta de esgoto, pois são comunidades extremamente adensadas, muitas residências são construídas na beira de córregos e rios. Há também problemas jurídicos, como a falta de regularização fundiária necessária para a Sabesp acessar os locais”, esclareceu Martorano Filho.

Desde então, a Arquidiocese de São Paulo estabeleceu um grupo de trabalho liderado pelo Regional Sul 1 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) para reunir profissionais que desenvolvessem soluções de baixo custo e de fácil aplicação para os problemas identificados nessas comunidades.

Compacta e eficaz

Os estudos resultaram na criação de uma microestação de esgoto, que é um conjunto integrado de tecnologias para o tratamento de resíduos com a produção de biometano (oriundo do biogás) por biodigestão anaeróbica (método de reciclagem pela produção de gás combustível e adubos).

Nesse sistema, o tratamento de esgoto gera energia, água de reúso e biofertilizantes. Seu funcionamento ocorre com a captação de resíduos diretamente da fonte geradora, o que põe fim à necessidade de uma vasta rede coletora e de transferência.

Os testes e desenvolvimento do projeto vêm sendo feitos, até o momento, unicamente na estação de tratamento de esgoto em São José dos Campos (SP). Nos próximos meses, pretende-se implementá-la também na comunidade 1010, no bairro do Rio Pequeno, zona Oeste. Ambas as etapas são resultado do investimento da própria Sabesp.

O professor explicou que a instalação nessa comunidade atenderá diretamente a população local, cerca de 200 famílias na primeira fase. Além disso, com a retirada do esgoto dos córregos, existe a expectativa de que, no futuro, a estação contribua com o processo de despoluição do Rio Pinheiros, uma vez que o Rio Pequeno é um de seus afluentes.

Preocupação com a casa comum

Martorano Filho ressaltou que a tecnologia não trata apenas o esgoto, mas representa a discussão de um tema transversal sobre educação ambiental, saúde da população e redução da quantidade de resíduos descartáveis.

Segundo o pesquisador, este é o início “da realização de um imenso desafio que temos com a população de São Paulo. Ainda não é possível nos vangloriarmos de que resolvemos o problema, muito pelo contrário”. Por isso, afirmou ser necessária a participação de todas as esferas sociais.

Sobre a microestação

  • O projeto ainda está na fase de “teste seguro”, inserido exclusivamente na estação de tratamento de esgoto em São José dos Campos (SP).
  • A próxima etapa será a execução na comunidade 1010, no bairro do Rio Pequeno, na zona Oeste da capital paulista; será a primeira fase do “teste de campo real”.
  • Por ser móvel, futuramente a tecnologia poderá ser implementada em mais locais de difícil acesso, como em áreas periféricas.
  • A Sabesp é quem determina os locais de implementação do projeto e viabiliza a coleta de esgoto.
  • A tecnologia beneficiará pessoas em situação de vulnerabilidade social, residentes das periferias e de áreas habitacionais excluídas de saneamento básico adequado, resultando em melhorias na saúde pública, despoluição ambiental e desenvolvimento social.

Fonte: O São Paulo.


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