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Mato Grosso do Sul terá laboratório para análise de água

Estrutura instalada na Embrapa tem por objetivo verificar a presença de agrotóxicos em camadas superficiais

Um laboratório referência em análise e monitoramento de resíduos de agrotóxicos em águas superficiais será construído no Município de Dourados em Mato Grosso do Sul no próximo ano, na Embrapa Agropecuária Oeste.

O objetivo inicial das novas instalações será monitorar as bacias hidrográficas dos rios Ivinhema, Dourados e Amambai, na região Sul do estado, áreas de intensa atividade agrícola, especialmente soja, milho e cana-de-açúcar.

A construção do novo laboratório e a aquisição dos equipamentos serão realizadas por meio de parceria entre Embrapa Agropecuária Oeste, Ministério Público Federal (MPF/MS), Ministério Público do Trabalho (MPT/MS), Ministério Público Estadual de Mato Grosso do Sul (MP MS) e Instituto de Meio Ambiente de Dourados (Imam). Trata-se de um empreendimento de interesse conjunto. As instituições públicas de fiscalização necessitam de análises técnicas sobre possíveis contaminações com agrotóxicos e a Embrapa pretende utilizar as informações coletadas para fins científicos e desenvolvimento de procedimentos e tecnologias sustentáveis.

A expectativa é que em 2017 comecem as obras, com R$ 524 mil de aporte financeiro do MP/MS, somados a R$ 606 mil do Imam, além de outros recursos dos MPs investidos na compra de equipamentos e produtos para análise das amostras. As futuras instalações somarão 363 metros quadrados e abrigarão equipamentos de última geração voltados à detecção de substâncias química. O novo laboratório terá capacidade de realizar, aproximadamente, 200 amostras por mês para as pesquisas.

O pesquisador da Embrapa Agropecuária Oeste, Rômulo Penna Scorza Júnior, coordenador técnico do projeto, afirma que o monitoramento é muito importante para avaliar se as tecnologias estão sendo utilizadas da forma preconizada, ou se está havendo algum impacto ambiental. “Se necessário, poderemos até modificar algumas tecnologias para evitar contaminação. O foco é o uso de agrotóxico, mas existe todo um contexto dentro do sistema de produção”, diz Scorza Júnior.

O projeto tem duração de dez anos, com renovação a cada dois, mediante a apresentação dos resultados da Embrapa. A partir das análises, será gerado anualmente um relatório com os resultados técnico-científicos (quantitativo e qualitativo) do monitoramento das águas superficiais com acesso público. E os Ministérios Públicos podem solicitar à Empresa os resultados parciais sobre o estado dos rios e lagos a respeito da presença ou não de resíduos de agrotóxicos.

O pesquisador afirma que o novo laboratório garantirá a qualidade do preparo, identificação e quantificação das amostras de água que serão coletadas nas bacias hidrográficas. “Atualmente, temos um laboratório de monitoramento de resíduos de agrotóxicos na Embrapa Agropecuária Oeste. Mas, para atuar com o trabalho de monitoramento, é importante trabalharmos em um local compartimentado para todo o processo de análise e com algumas técnicas que confirmem a “impressão digital” das moléculas analisadas”, destaca Scorza Júnior, que conta com o auxílio do laboratorista Paulo Vitro, também da Unidade da Embrapa em Dourados.

Para o procurador Marco Antonio Delfino de Almeida, do MPF em MS, uma importante vantagem do laboratório será a de permitir a realização local desse monitoramento. “Atualmente, as amostras são enviadas para análise no Laboratório Evandro Chagas, em Belém, no Pará. A distância impõe limitações nas análises, tanto na periodicidade [de envio] das amostras quanto no quantitativo de agrotóxicos abrangido”, informa.

Segundo o promotor do MP MS, Amilcar Araujo Carneiro Junior, com o resultado das análises sobre a quantidade de substâncias agrotóxicas e o seu grau de interferência na qualidade das águas nas bacias hidrográficas do estado, o Ministério Público poderá realizar investigações para apurar e identificar quais são as condutas e atividades que causam efetivamente o dano ambiental e prejuízo à saúde da população sul-mato-grossense.

Fonte: www.portaldbo.com.br