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Indústria quer acelerar projeto que transforma o ES em gigante da captação de gases do efeito estufa

Indústria quer acelerar projeto que transforma o ES em gigante da captação de gases do efeito estufa

Com grandes fábricas emissoras, relevante infraestrutura de gasodutos e profundo conhecimento de sua geologia, o Estado se apresenta para um jogo que exige muita tecnologia, conhecimento e dinheiro.

O Espírito Santo reúne as condições para ser um dos grandes polos de Captura, Transporte e Armazenamento de Carbono (CCS) do Brasil e até do planeta. Com grandes fábricas emissoras, uma relevante infraestrutura de gasodutos e com um profundo conhecimento de sua geologia (herança de uma indústria do petróleo que há muito opera por aqui), o Estado se apresenta para um jogo que exige muita tecnologia, conhecimento e dinheiro.

De olho nisso, está sendo montado o ES Carbono Neutro: Programa de Incentivo a Projetos de CCS da Indústria, uma parceria de Federação das Indústrias do Espírito Santo (Findes), Petrobras, Fórum Capixaba de Petróleo, Gás e Energia e Governo do Estado. Diante das vantagens competitivas que temos por aqui, a ideia é transformar o ES em um hub estratégico para a descarbonização industrial. Para isso, uma série de iniciativas e necessidades foram mapeadas.

O CCS é uma solução ambiental que consiste em captar o dióxido de carbono (CO2) gerado em processos industriais (grande causador do efeito estufa), transportá-lo por meio de dutos ou outros modais e armazená-lo em formações geológicas subterrâneas seguras. Assim, o CO2 não chega à atmosfera. Parece simples, mas depende de muita tecnologia e bilhões de reais em investimentos.

“Estamos falando de uma nova cadeia produtiva que pode gerar inovação, atrair investimentos e posicionar o Espírito Santo como referência nacional em soluções ambientais para a indústria. É uma agenda que une competitividade e responsabilidade com o futuro. Para a Findes, participar dessa iniciativa é de extrema relevância”, assinala o presidente da Federação, Paulo Baraona.

“Para que projetos como esse avancem, é preciso pensar em todas as condições de viabilidade, desde o licenciamento ambiental até incentivos fiscais e qualificação técnica. A infraestrutura logística do Espírito Santo é considerada o principal diferencial competitivo. O Estado já conta com gasodutos interligando-se a regiões como Minas Gerais, Bahia, Rio de Janeiro e São Paulo, o que facilita a adaptação para o transporte de CO2”, aponta a secretária executiva do Fórum Capixaba de Petróleo, Gás e Energia, Rúbya Salomão.

Os seis eixos do programa:

Inovação e fomento: direcionar investimentos e pesquisas para o desenvolvimento de tecnologias e soluções inovadoras em CCS. O Fundo de Descarbonização que será lançado pelo governo do Estado está no radar;

Incentivos fiscais e regulatórios: para desenvolver e auxiliar regulação de CCS nos níveis federal, estadual e municipal;

Qualificação: desenvolver a força de trabalho para operação e regulamentação de projetos de CCS;

Mercado de carbono: monitorar a regulamentação do mercado nacional de créditos de carbono e fomentar o mercado voluntário no ES;

Infraestrutura e investimentos: desenvolver estrutura logística e atrair investimentos para implantação de projetos de CCS;

Monitoramento de projetos: acompanhar e apoiar novos projetos de CCS e projetos em desenvolvimento no ES.

Em agosto do ano passado, a Petrobras anunciou um projeto para transformar o Estado em um dos maiores centros de captação de dióxido de carbono do mundo. Profunda conhecedora da geologia capixaba, a estatal já identificou, no Parque das Baleias, antigos reservatórios de óleo e gás que podem, no futuro, receber CO2.

A ArcelorMittal, uma das grandes emissoras do Estado, já possui um memorando de entendimento com a petroleira e acompanha de perto a evolução do projeto. O objetivo da Petrobras é capturar 12 milhões de toneladas de gases por ano. Para termos uma ideia da dimensão do projeto, hoje, o mundo captura algo perto de 50 milhões de toneladas por ano.

Fonte:  A Gazeta


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