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Editorial: Saneamento, dívida social

Dificilmente o Brasil atingirá a meta de universalizar a coleta e tratamento de esgoto, além de ofertar água potável aos brasileiros até 2033, como estabeleceu o Plano Nacional de Saneamento Básico, aprovado em 2013.

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No primeiro semestre de 2017, os repasses de recursos federais a municípios e estados caíram 12%. Entre as unidades da Federação mais afetadas estão Rio de Janeiro e São Paulo. Hoje, dos 5.570 municípios, pelo menos 3.331 não dão destinação adequada aos resíduos coletados. Para o Ministério das Cidades, a redução se deveu à crise econômica, que arremessou o país no poço da recessão.

A dificuldade cria embaraços para as autoridades brasileiras ante o 8º Fórum Mundial da Água, que ocorrerá de 18 a 23 de março, em Brasília, e deve atrair pelo menos 40 mil participantes de diversas nações. No cerne do debate está a finitude da água potável, cada vez mais escassa devido à poluição dos corpos hídricos, pelo elevado volume de lixo, sem o devido tratamento ou descarte inadequado, e aumento da demanda pelo crescimento da população mundial. Sem contar que a má distribuição é grave ameaça à vida de muitos povos. No Brasil, esse desequilíbrio é tangível no Nordeste.

Impossível dissociar saneamento básico, oferta de água e saúde. De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), para cada US$ 1 investido em saneamento, o país economiza US$ 4 nos gastos com saúde pública. O impacto se estende à economia de modo geral. Menos doenças pela oferta de água tratada implica queda no afastamento de profissionais do trabalho. Em média, o trabalhador fica sem ir ao serviço 3,32 dias a cada ano. Com mais saneamento, o Sistema Único de Saúde (SUS) economizaria, anualmente, cerca de R$ 362 milhões – em 20 anos esse valor chegaria a R$ 7,2 bilhões.

Deficiências nas políticas públicas

Às deficiências nas políticas públicas agrega-se ainda o aquecimento global, que vem alterando o regime de chuva e de estiagem em todo o globo. Em Brasília, chegamos ao segundo ano de racionamento de água, por causa redução do volume de precipitação pluviométrica, que deixou vazios os dois principais reservatórios que abastecem todo o Distrito Federal. Nas últimas semanas de 2017, a situação melhorou, mas não o suficiente para o governo local suspender o alerta de redução do consumo. A crise hídrica não é restrita à capital, mas problema recorrente em várias unidades da Federação, inclusive, São Paulo, a mais rica do país.

Com 12% da água potável do planeta, o Brasil ocupa a 20ª posição em desperdício. Postergar a expansão do saneamento básico não é prejuízo apenas econômico, mas uma ameaça real à vida da população, independentemente da classe social, uma vez que doenças não fazem distinção entre ricos e pobres, e todos precisam de água para viver.

Fonte: Diário de Pernambuco.

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