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Deputado de Mato Grosso propõe uso de plantas para tratamento de esgoto

José Domingos Fraga apresentou à Assembleia Legislativa projeto que visa à utilização de plantas aquáticas na despoluição de esgoto

“A utilização de espécies vegetais no tratamento de esgoto representa uma tecnologia emergente, uma alternativa eficiente e de baixo custo aos sistemas convencionais; esses sistemas são facilmente operados, requerem baixo consumo de energia e são mais flexíveis e menos suscetíveis às variações nas taxas de aplicação de esgoto”, argumenta o deputado estadual José Domingos Fraga (PSD), ao justificar o Projeto de Lei nº 401/2016, no qual propõe tornar “obrigatória a implantação em novos empreendimentos, o tratamento de efluentes por meio de tecnologias sustentáveis nos municípios do Estado do Mato Grosso”.

Conforme a proposta, o uso de tecnologias sustentáveis no tratamento de efluentes – dentre as quais a utilização de espécies vegetais, como plantas macrófitas aquáticas, que realizem a fitorremediação de águas não potáveis – tem como objetivos a implementação de alternativas economicamente viáveis, socialmente justas e ambientalmente corretas; a conscientização e a educação da população para o uso sustentável e racional dos recursos hídricos; a redução de custos energéticos com luz, água e esgotamento sanitário; a redução de custos com a manutenção do tratamento de efluentes pelas empresas de saneamento; além do controle e gerenciamento de efluentes.

Plantas aquáticas – A tecnologia de tratamento de água poluída e de efluentes orgânicos de pecuária e agroindústria por meio de plantas aquáticas é relativamente simples e barata, todavia requer pesquisa de adaptação às condições locais.

As vantagens das plantas aquáticas no tratamento de efluentes, em comparação a um filtro convencional (de solo ou de pedras), são a estética e o apelo ecológico; o controle de mau odor, agindo como um biofiltro de odor, possibilitando instalação próxima à comunidade; o tratamento aeróbio e anaeróbio do efluente, retirando sólidos suspensos e microrganismos patogênicos ; e o controle de insetos, por ação de plantas superficiais.

Um exemplo de sucesso na adoção de tecnologias sustentáveis para o tratamento de efluentes pode ser observado na Índia, país no qual são produzidos 15 milhões de m3 de esgoto/dia.

Em Cuttack, cidade onde há 700 mil habitantes, foi criada, pelo Instituto Central de Aquicultura de Água Doce em 1986, com ajuda da Food and Agriculture Organization of the United Nations (Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação – FAO), uma Estação de Tratamento de Esgotos com Aquicultura de lemnáceas e peixes, ao custo de apenas US$ 38 mil. Uma estação de tratamento convencional custaria quase o quádruplo. Essa estação tem capacidade para tratar o esgoto de 11 mil pessoas, ou 1 milhão de litros de esgoto/dia, sendo usado um tanque de meio hectare. É feito um tratamento inicial com plantas aquáticas, passando para tanques de carpas e camarões de água doce. A biomassa produzida pelas macrófitas tem várias aplicações, como forragem para animais, adubo orgânico e obtenção de biogás.

Fonte: www.al.mt.gov.br