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Cuidando da casa comum – Cerca de 35 milhões de pessoas não contam com água tratada em casa

Apesar de figurar entre as dez maiores economias mundiais, o Brasil é um dos países com o índice mais alto de pessoas que não possuem banheiro, com quase 7,2 milhões de habitantes, de acordo com o Progress on Sanitation and Drinking-Water, 2014. Cerca de 35 milhões de pessoas não contam com água tratada em casa e quase 100 milhões estão excluídas do serviço de coleta de esgotos, como aponta publicação, de 2015, do Instituto Trata Brasil.

Ainda de acordo com o Trata Brasil, a cada 100 litros de água coletados e tratados, em média, apenas 67 litros são consumidos. Contudo, 37% da água no Brasil é perdida, seja com vazamentos, roubos e ligações clandestinas, falta de medição ou medições incorretas no consumo de água, resultando no prejuízo de R$ 8 bilhões. A soma do volume de água perdida por ano nos sistemas de distribuição das cidades daria para encher seis sistemas Cantareira.

Por isso, muito oportuno o tema escolhido pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) para a Campanha da Fraternidade deste ano: “Casa comum, nossa responsabilidade”, que trata, principalmente, do direito à saúde e ao saneamento básico. Trata-se de uma questão que afeta a saúde pública, a dignidade humana, a sustentabilidade do planeta e também a economia. O tema ganha ainda mais relevância no momento em que o País é assolado por uma epidemia de doenças transmitidas por um mosquito.

A oferta de água e esgoto tratados é um dos gargalos históricos de desenvolvimento do País. Não se pode negar que houve avanços nos últimos anos. De 2007 a 2015, os repasses do governo federal para obras de saneamento básico, que inclui empreendimentos para ampliar a oferta de água potável e o tratamento de esgoto, somaram mais de R$ 104,2 bilhões.

As obras já realizadas atenderam cerca de 50 milhões de brasileiros com água e esgoto, mas ainda há muito por fazer, e o desafio é proporcional às dimensões do Brasil.

O Plano Nacional de Saneamento Básico (Plansab), lançado há dois anos, tem como principal objetivo universalizar o acesso à água portável e o tratamento de água até 2033. Além da questão financeira, o desafio do governo federal é ajudar as prefeituras e os governos estaduais a elaborar projetos para receber investimentos da União. Caso contrário, continuaremos com esses indicadores degradantes.

Fonte: http://www.tratabrasil.org.br/cuidando-da-casa-comum-2