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Canadenses trazem ao Brasil nova tecnologia de tratamento de efluentes

Instituto do Canadá vai desenvolver equipamento inovador em parceria com o Senai no Paraná

Pesquisadores do Canadá estiveram no Brasil na segunda semana de junho de 2016 para iniciar os trabalhos de uma parceria entre o Centro de Tecnologias de Água de Quebec, no Canadá, e o Instituto Senai de Tecnologia em Meio Ambiente e Química, do Senai Paraná e que fica em Curitiba. O objetivo da parceria é o desenvolvimento no país de uma tecnologia de tratamento de efluentes de alta complexidade para remoção de metais em indústrias. O projeto, que é novidade no exterior, chega ao Brasil e se mostra mais econômico e sem a necessidade da utilização de muitos produtos químicos para as empresas.

O projeto é patenteado por uma empresa canadense, a Metafix. A patente foi conquistada em abril de 2016, após três anos de estudos, conforme explica o pesquisador e Phd em Química do centro canadense, Aziz Gherrou. Trata-se de um filtro que não utiliza grande quantidade de água, nem de produtos químicos, ao contrário do procedimento atual de muitas empresas. “É uma nova tecnologia: é compacto e não forma muito lodo”, explica.

A tecnologia é destinada ao tratamento de efluentes de galvanoplastia, tratamento de superfície, em indústrias de couro, curtumes, de pintura, circuitos elétricos, preservativos de madeira (que são produtos químicos para tratamento de madeira). No tempo em que estiveram em Curitiba, os canadenses visitaram indústrias para analisar quais delas poderiam desenvolver a tecnologia no Brasil. No país, o novo equipamento será encabeçado pelo instituto do Senai. “Para receber esse equipamento, a empresa precisa ter esse tipo de efluente na produção industrial”, explica o coordenador de tecnologia e inovação do Instituto Senai de Tecnologia em Meio Ambiente e Química, Marcos Pupo Thiesen.

Escolha do Brasil

O contato feito com o Senai Paraná vem desde o ano de 2013, com algumas parcerias. No final de 2014, com a criação do Instituto Senai de Tecnologia em Meio Ambiente e Química, tanto Gherrou como o diretor-geral do Centro de Tecnologias de Água de Quebec, Patrick Caron, estiveram em Curitiba como palestrantes. Em 2015, especialistas do Senai visitaram a instituição canadense e conheceram os laboratórios. Nesse período de aproximação, o projeto já estava sendo desenvolvido e foi submetido ao governo de Quebec e ao governo federal canadense para angariar recursos para o financiamento.

Do total de dinheiro investido na pesquisa e desenvolvimento do equipamento para tratamento de efluentes, 50% vêm do governo de Quebec, 30% do governo federal do Canadá e os outros 20% da empresa Metafix, que detém a patente do produto. Segundo Caron, “uma das premissas para o desenvolvimento do projeto é que os pesquisadores tenham um trabalho colaborativo com o exterior”. A escolha foi por uma instituição e por empresas brasileiras.

No instituto do Senai são feitos ensaios laboratoriais e consultoria para as empresas que vão receber essa nova tecnologia canadense, conforme explica Thiesen. “Houve também trabalho de “aproximação dos parceiros internacionais com o instituto” por parte do Departamento de Alianças Estratégicas do Senai, explica Rafael Teixeira Asinelli, que é da equipe do departamento.