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IMA nega uso de biorremediador para despoluir o Rio Marambaia: “medida desesperada”

O Instituto do Meio Ambiente (IMA) emitiu um parecer contrário ao uso de biorremediadores no Rio Marambaia, para controlar os índices de poluição.

biorremediacaoFoto: Reprodução Facebook Rio Marambaia Vivo

Esta é a segunda vez que a Empresa Municipal de Água e Saneamento (Emasa) propõe o uso de organismos para consumir os poluentes, e recebe negativa do órgão ambiental estadual.

O parecer, assinado por engenheiros ambientais e sanitaristas, técnicos do IMA em Itajaí, afirma que a proposta da Emasa não considera os possíveis efeitos que o crescimento dos microorganismos, utilizados na biorremediação, podem trazer ao meio ambiente em especial em um rio com influência de maré, como é o caso do Marambaia.

Os técnicos apontam, ainda, que o pedido da Emasa tem “questões técnicas generalistas”, falta de argumentos técnicos e cálculos equivocados do volume de água do rio. O parecer diz que as dosagens e a escolha dos locais onde seriam feitas as aplicações foram apresentadas “sem qualquer parâmetro técnico ou científico”, inclusive em desacordo com o que determina o fabricante.

Projeto sem Anotação de Responsabilidade Técnica

O projeto, de acordo com os técnicos do IMA, não tem assinatura profissional e Anotação de Responsabilidade Técnica (ART). “Por estas razões, verifica-se o biorremediador e suas dosagens parecem ter sido adotados com base no senso comum, dando indicativos de uma medida desesperada da EMASA em resolver o problema de poluição do canal do Marambaia às vésperas da temporada”.

O documento chama atenção, ainda, para a necessidade de atacar as causas do problema “o esgoto despejado no rio” ao invés de soluções paliativas. “A resolução de um problema de forma definitiva exige ataque às causas, e não às consequências. A acentuada poluição do Rio Marambaia associada à emissão de odores fétidos é resultado de anos de omissão da Administração Pública de Balneário Camboriú com a coleta e tratamento de efluente sanitário”, afirma o parecer.

O IMA recomendou, entre outras medidas, que a Emasa revise o método de fiscalização do esgoto irregular. O órgão ambiental sugere uma vistoria, com prazo de 45 dias para adequações, e em seguida auto de infração com aplicação de multa diária, até a regularização. Hoje o processo dura o dobro do tempo, e a multa é de pouco mais de R$ 270.

O diretor da Emasa, Douglas Beber, disse que a empresa seguirá as recomendações dos técnicos e reapresentará o projeto para que seja analisado novamente, em busca de autorização.

Fonte: NSC Total.