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Soldagem em vaso de pressão

Quando se fala em vaso de pressão, podemos considerar desde a mais simples panela de pressão até os mais complexos equipamentos utilizados na indústria, como a maioria dos filtros

por Eng. Edison Ricco Junior

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A origem do vaso de pressão designa todos os recipientes de estanque de qualquer tipo, formatos, dimensões e aplicações capazes de conter um fluido pressurizado. Uma grande parte dos filtros é enquadrada como vaso de pressão.

Os filtros podem ser enquadrados como equipamentos de processos, onde os fluidos sofrem transformações físicas e químicas, como por exemplo, uma filtragem superficial pode transformar as características do fluido dentro de um processo.

Um dos problemas dos vasos de pressão é que normalmente as indústrias trabalham em regime contínuo, onde os equipamentos ficam submetidos a um regime intenso de operação, pois são difíceis as paradas para inspeções e manutenções. A maioria dos vasos de pressão está instalada em indústrias onde os processos normalmente são utilizados em condições de grandes riscos como fluidos inflamáveis, tóxicos ou em condições de operações atípicas como pressão e temperatura, por esta razão a necessidade de máxima segurança no funcionamento dos equipamentos. Em função disto, a idealização de um vaso de pressão é dividida em 3 importantes etapas:

1) Projeto

2) Fabricação

3) Inspeção

O projeto do vaso de pressão inclui não somente o seu dimensionamento físico para resistir a pressão e demais cargas atuantes, como também a seleção dos materiais ade-quados, dos processos de fabricação, deta-lhes de peças internas, etc.

Nesta etapa é importante a definição tanto do processo de soldagem adequado, como os mapas de soldagem com os chanfros e dimensões.

Outro ponto importante é a definição da norma de projeto para o vaso de pressão, existem várias normas internacionais, no Brasil a norma utilizada é o ASME VIII (American Society of Mechanical Engineers).

Divisão 1 – regras de projetos padrões.

Divisão 2 – regras de projetos alternativos.

As normas de projetos foram estabelecidas não só com a finalidade de padronizar e simplificar o cálculo e projeto, mas garantir condições mínimas de segurança para operação.

A fabricação consiste na produção de todos os componentes do vaso, desde o recebimento da matéria prima até a montagem final. É importante a inspeção do recebimento de toda a matéria prima e identificação com os respectivos certificados, corridas, entre outros, para uma correta montagem do data book. Antes de iniciar o processo de soldagem no vaso, deve ser feita a qualificação de todos os procedimentos de soldagem e de todos os soldadores que serão empregados. Essas qualificações são estabelecidas por normas (ASME IX welding qualifications) e têm a finalidade de verificar a adequação dos procedimentos de soldagem e capacitar os soldadores em relação ao material a ser soldado.

Os procedimentos de soldagem definem os parâme-tros a uma determinada solda. Antes de dar início deve ser feito um estudo da seqüência de soldagem e de montagem do vaso, este estudo tem a finalidade de estabelecer a ordem cronológica em que as soldas devem ser feitas. A terceira etapa é a inspeção, as soldas dos vasos devem ser submetidas a exames não destrutivos para a detecção de possíveis defeitos, os ensaios possíveis são:

– Inspeção visual.

– Inspeção por líquidos penetrantes.

– Inspeção por partículas magnéticas.

– Inspeção por raio-x.

– Inspeção por ultra-som.

Após o término do vaso é obrigatório uma inspeção por teste hidrostático, onde o valor da pressão é estabe-lecido pelas normas de projeto.

A soldagem é empregada na fixação de todas as partes que constituem o vaso de pressão. Todas as soldas, onde é exercido pressão, são obrigatórias soldas de penetração total. Para as soldas não pressurizadas, a penetração total não é exigida, isto é, fora da parede de pressão do vaso tais como soldas de ligação aos suportes do vaso, acessórios, estruturas externas e soldas internas. Para vasos menores, onde não é possível a soldagem pelo lado interno, é necessário um procedimento onde se realize uma solda pelo lado externo garantindo a qualidade da raiz e com penetração total.

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Tipos usuais de solda de topo em paredes do vaso

Existem vários tipos de processos de soldagem, é necessário uma escolha de acordo com vários itens como material, espessura, chanfro, acesso, etc.

A escolha do processo de soldagem segue:

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No Brasil, o projeto, fabricação, uso e inspeção é regulado pela Norma Regulamentadora n° 13 (NR – 13) do ministério do trabalho.

Os equipamentos obrigatórios para os vasos são:

– Válvulas ou outro dispositivo de segurança com pressão de abertura instalada diretamente no vaso ou no sistema que o inclui.

– Dispositivo de segurança contra bloqueio inadvertido da válvula quando não estiver instalada diretamente no vaso.

– Instrumento que indique pressão de operação.

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Todo o vaso de pressão deve ter afixado em seu corpo, em local de fácil acesso e bem visível, placa de identificação indelével com no mínimo as seguintes informações:

– Fabricante.

– Número de identificação.

– Ano de fabricação.

– Pressão máxima de trabalho admissível – PMTA.

– Pressão de teste hidrostático.

– Código de projeto e ano de edição.

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Todo o vaso deve possuir, no es-tabelecimento onde estiver ins-talado, a disposição para consulta dos operadores do pessoal de manutenção, inspeção etc.

a) Prontuário do vaso de pressão, contendo:

– Código de projeto e ano de edição.

– Especificação dos materiais.

– Procedimento de fabricação, montagem e inspeção final e determinação da PMTA.

– Conjunto de desenhos.

– Características funcionais.

– Dados dos dispositivos de segurança.

– Ano de fabricação.

– Categoria do vaso.

b) Registro de segurança.

c) Projeto de instalação.

d) Projeto de alteração ou reparo.

e) Relatórios de inspeção.

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Edição Nº 19
Revista Meio Filtrante
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