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Como o rio mais sujo da Europa se tornou exemplo de despoluição

Como o rio mais sujo da Europa se tornou exemplo de despoluição

O rio Emscher, na Alemanha, costumava ser destino de resíduos de fábricas e esgoto, mas está livre de efluentes desde 2021

O Emscher é um rio afluente do Reno que atravessa a região do Ruhr, no oeste da Alemanha. Por mais de um século, ele foi conhecido por sua poluição e seu cheiro horroroso, sendo considerado como o mais sujo da Europa.

Desde 2021, no entanto, a água, que costumava ser destino de resíduos de fábricas e esgoto, está livre de efluentes. Além disso, o local começou a apresentar sinais de retorno da vida aquática, sendo um bom exemplo de como é possível recuperar o meio ambiente.

Esgoto e outros resíduos foram despejados no rio por décadas

  • O Emscher atravessa o coração de uma região densamente povoada e famosa por suas minas de carvão e fábricas.
  • No ano de 1800, a população em rápido crescimento foi atormentada por doenças transmitidas pela água, como febre tifoide e cólera.
  • Alarmados com o cenário, os barões industriais do Ruhr buscaram formas de melhorar a saúde pública.
  • Foi então que eles fundaram a Emschergenossenschaft, a primeira associação de gestão de água da Alemanha.
  • A ideia era criar canais de esgoto, mas questões logísticas dificultavam este trabalho.
  • As solução foi despejar os resíduos diretamente no rio.
  • Foi apenas quando a indústria de mineração de carvão entrou em colapso, na década de 1980, que as autoridades locais decidiram recuperar o Emscher.

Local voltou a ser sinônimo de vida

Para limpar o rio, que recebia dejetos de mais de 2,5 milhões de pessoas, a Emschergenossenschaft decidiu construir uma central de esgoto de 51 km, além de várias estações de bombeamento, quatro estações de tratamento e 436 km de canais de esgoto. O custo total do projeto foi de 5,5 bilhões de euros (mais de R$ 35 bilhões).

Foram necessárias décadas, mas os resultados apareceram. Nos últimos meses, foram avistados diversas espécies de peixes nas águas do rio, assim como camarões e até castores. Hoje, mais de 130 km de ciclovias percorrem suas margens e a água é tão clara que é possível ver até o leito do rio em alguns pontos.

Esta é uma história com final feliz, mas está longe de ser uma realidade, mesmo na Europa. Um relatório da Agência Europeia do Meio Ambiente aponta que apenas 37% dos corpos d’água superficiais do continente têm um estado ecológico considerado “bom” ou “alto”, enquanto apenas 29% tinham um bom estado químico.

Com a necessidade de combater as mudanças climáticas, o que envolve despoluir rios, a União Europeia se comprometeu a recuperar 25 mil quilômetros de rios até 2030. Esta é, sem dúvidas, uma meta ambiciosa e difícil de cumprir. Mas o Emscher é um ótimo exemplo a ser seguido, até mesmo para autoridades do Brasil.

Fonte: Olhar Digital


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