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Reutilização da sobra de água permeada e de rejeito de uma central de tratamento de água por osmose reversa de uma unidade de hemodiálise hospitalar

Resumo: Esse trabalho trata da possibilidade de reutilizar a água do rejeito e a sobra da água permeada proveniente de um sistema de Osmose Reversa, OR, da unidade de hemodiálise do Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto (HCRP-USP). O estudo foi feito por meio de levantamento estrutural com plantas físicas e ‘layout’ do local, fazendo visitas a esse local para analisar a qualidade e verificar a quantidade de água utilizada no mesmo e, principalmente, do estudo das características bacteriológicas e físico-químicas da água a ser reaproveitada. O resultado obtido das análises da sobra de água permeada e do rejeito mostrou que é possível reutilizar a sobra de água permeada diretamente na caixa central do HCRP-USP, pois esse procedimento não altera a qualidade da água de abastecimento do hospital, sendo somente de 0,73 % de diluição. Com a instalação do sistema de reaproveitamento da sobra de água permeada o HCRP-USP passou a ter uma economia em volume de água de 575 m3/mês. O custo total de implantação do sistema não passou de 5.809,43 reais, ou seja, com pouquíssimo recurso financeiro o hospital obteve uma grande economia no insumo água.

Introdução: A água é essencial para todas as formas conhecidas de vida, importante nos mais diversos setores e também no clima terrestre (FERREIRA, RIBEIRO, BARTHUS, 2013). As reservas de água do planeta são finitas, e estão cada vez menores, sendo que 97 % das águas superficiais estão nos oceanos, 2,4 % correspondem às geleiras e calotas polares e a pequena fração restante 0,6 % da água do planeta (total = 1,4 x 10kmde água) compõe-se de águas subterrâneas nas formações geológicas, lagos, rios, atmosfera, solos, plantas e animais. (FERREIRA, RIBEIRO, BARTHUS, 2013). Estima-se que a cada 90 segundos uma criança morre no mundo devido à falta ou à má qualidade da água e doenças relacionadas a água afetam mais do que 1,5 bilhão de pessoa no mundo a cada ano (WHO, 2015). Por isso, um poço de água potável valerá em breve o que valia um poço de petróleo nos anos 70 (BOTELHO, 2001). Na ótica das Ciências da Natureza, o conceito de qualidade da água é muito mais amplo do que a sua simples caracterização pela fórmula molecular H2O, devido às suas propriedades de solvente e sua capacidade de transportar partículas, incorpora a si diversas impurezas, as quais definem a sua qualidade (DIAS, 2008). O presente estudo visa abordar a viabilidade do reaproveitamento da sobra de água permeada e a água denominada de rejeito, a qual é descartada pelo sistema de tratamento de água por Osmose Reversa, OR. Este é um processo de purificação comumente utilizado em clínicas de hemodiálise, mas que gera em torno de 40 % de descarte. Neste estudo, foi avaliado o volume de água descartado pelo sistema de tratamento por OR instalada na clínica de hemodiálise do Hospital das Clinicas de Ribeirão Preto (HCRP-USP). Para esta clínica foi prevista a infraestrutura necessária para o reaproveitamento da água do rejeito para a limpeza de calçadas, carrinhos de lixo e para a irrigação dos jardins, no entanto não estava previsto o reaproveitamento da sobra da água permeada. A partir dos relatórios gerados pelos laboratórios internos e externos, o trabalho buscou estabelecer critérios de reaproveitamento desta água. Finalizando com uma abordagem que busca identificar novas alternativas para o reuso da água do rejeito e a sobra da água do permeado. Os resultados que se seguiram tanto do ponto de vista microbiológico, quanto físico-químico, mostraram-se bastante satisfatórios para classificação da água em vários procedimentos de reuso. Por este motivo, novas técnicas vêm sendo empregadas, visando racionalizar o uso da água tratada pelo processo de OR. Um exemplo é o emprego de geradores de ozônio para controle microbiológico do sistema de distribuição dessa água. Essa alternativa, evita horas e horas de enxágue e o desperdício de água tratada, produzida apenas para remoção do excesso de ácido peracético, produto normalmente utilizado para este controle (KRIEGER, 2016, p.34). Outra forma seria reaproveitar o descarte gerado pelo tratamento e este é o objetivo principal deste estudo. Por meio de análises de amostras de água deste meio, propõe-se buscar aplicações e soluções para o aproveitamento da mesma, sem comprometer a qualidade da água destinada aos pacientes renais, gerando um benefício que se estende para além da clínica, mas também para a sociedade e o meio ambiente.

Autores: L. Ribeiro; M. Sanches-Pagliarussi e J. Ribeiro.

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