BIBLIOTECA

Reúso de águas cinzas em habitações populares no Estado de MG

Resumo

O homem é responsável pela modificação do ambiente natural onde se estabelece para viver em comunidade. Para que se entendam as medidas necessárias a serem tomadas buscando a reversão deste problema, é preciso que exista uma mudança nos padrões de consumo e de produção de uma população. A reutilização da água é uma delas e proporciona benefícios como: a proteção dos recursos hídricos, diminuição da poluição dos mananciais, uso racional de águas potáveis, a atenuação de erosões do solo e controle de desertificações. A pesquisa que se apresenta tem o objetivo de simular um projeto de reúso de águas cinza, derivadas do chuveiro e lavatório, em uma residência de 67m², popular, com no máximo 4 habitantes dentro do estado de Minas Gerais. Elaborou-se o dimensionamento com auxílio do software Hydros. Para obter-se uma maior qualidade na reutilização da água, optou-se que o efluente deste sistema passasse por um processo de filtragem para sua posterior reutilização e realizou-se um comparativo da economia de água em relação ao sistema convencional. Após a análise dos resultados, verificou-se uma significativa economia do insumo nesta residência. Economia esta, que, provoca uma expressiva redução na poluição dos recursos hídricos.

Introdução

As modificações ambientais provocadas pela ação antrópica alteram significativamente os ambientes naturais. A quantidade de recursos naturais eleva o risco de exposição a doenças e atuam negativamente na qualidade de vida da população (PHILIPPI JR. et al.,2005). Segundo os mesmos autores a análise potencial dos impactos decorrentes destas modificações pode ser feita sob o enfoque da mudança nos padrões de consumo e de produção da população, facilitando assim a compreensão dessa questão e das medidas necessárias para a reversão dos problemas ambientais instaurados.

Conforme a Declaração Universal dos Direitos da Água, publicada pela Organização das Nações Unidas (ONU,1992), a água é parte constituinte do patrimônio do planeta, sendo cada cidadão responsável por este recurso. Ainda relata que, para minimizar os riscos de esgotamento ou de deterioração da qualidade das reservas atualmente disponíveis a água deve ser utilizada com consciência e discernimento.

A situação de estresse hídrico atinge cerca de 40% da população mundial, nessas regiões a falta de água é frequente ilustrada por uma oferta anual inferior a 1700 metros cúbicos de água por habitante, limite mínimo considerado pela ONU.

O Brasil é a maior potência hídrica do planeta e já passou a viver, a partir de 2014, os primeiros grandes focos daquilo que pode ser a maior crise hídrica de sua história, pois possui sérios problemas de seca e gestão de recursos naturais (PENA, 2015).

A Lei nº 9433 que institui a Política Nacional de Recursos Hídricos estabelece parâmetros para manutenção dos recursos hídricos em qualidade e quantidade para a geração atual e para as futuras gerações (BRASIL, 1997).

A utilização de técnicas racionalizadoras pode contribuir para uma redução do consumo de água potável entre 30 e 40%. Algumas destas técnicas são: o uso de dispositivos economizadores em aparelhos, as fontes alternativas de suprimento (água da chuva, água do mar dessalinizada) e o reúso de águas servidas (águas cinzas) para fins menos nobres (BAZZARELLA, 2005).

Ainda de acordo com o mesmo autor, o alcance a soluções ecológicas para o saneamento será possível, somente a partir de mudanças na maneira como os indivíduos pensam e agem com relação aos resíduos produzidos por eles. Portanto, são necessários estudos sobre o desenvolvimento de tecnologias para sistemas de reúso da água, assim como avaliação dos aspectos referentes às características quali-quantitativas de águas residuárias e ao desenvolvimento de inovações no tratamento.

Segundo Petry e Boeriu (2000), o avanço de novas tecnologias referentes ao manejo de recursos hídricos ainda é muito precário e de extrema importância.

O presente trabalho tem por finalidade analisar a possível economia hídrica e financeira gerada a partir da simulação de um sistema de reuso de águas cinzas, para residências populares com até quatro habitantes, em Minas Gerais, Brasil.

Autores: Fernanda Maria Pedrosa dos Reis; Thiago Valadares Bahia Costa e Fabiana Alves.