BIBLIOTECA

“Retrofitting”, que diabo é isso?

Todos que trabalham com sistemas de tratamento de água e efluentes acabam se deparando com a necessidade de um “retrofitting”.

Essa é mais uma palavra da língua inglesa que acabou sendo incorporada ao nosso vocabulário e a melhor tradução para ela é “reabilitação”. Pois bem, quando é que precisamos reabilitar um sistema e por quê? Vamos a alguns exemplos:

1) Aumento da vazão

Essa situação é comum tanto nas indústrias como no saneamento básico e o principal motivo são problemas de planejamento, ou seja, faz-se uma instalação com base num certo cenário de consumo de água e geração de efluentes e, ao longo do tempo, percebe-se que a realidade é outra. A estação ficou pequena e já não dá conta do serviço. Nestas situações, nem sempre a melhor solução é a simples ampliação do sistema original, mas sim a modernização da solução técnica, de forma a extrair um melhor rendimento da planta. A tecnologia de membranas filtrantes, por exemplo, permite resultados de melhor qualidade com utilização de menor área.

2) Mudança nas características da água ou do efluente

Um exemplo real e preocupante disso é o que ocorre nos sistemas de abastecimento de água do Estado de São Paulo, onde as estações de tratamento foram dimensionadas e construídas há muitos anos, quando os mananciais não eram poluídos e contaminados. Os sistemas não têm capacidade para remover excesso de matéria orgânica, hormônios e outros compostos complexos que acabam sendo indevidamente lançados nos rios.

Da mesma forma, uma indústria pode precisar alterar completamente seu sistema de tratamento de efluentes devido a uma alteração da linha de produtos e conseqüente geração de efluentes. Por exemplo, se uma empresa de bebidas que tradicionalmente faz sucos e refrigerantes decide fazer também cerveja, terá um efluente totalmente diferente. A carga orgânica será significativamente superior e, muito provavelmente, o sistema original não vai aguentar tal excesso.

3) Necessidade de redução de custos operacionais

Um sistema muito antigo também terá uma concepção de tratamento muito antiga, o que pode levar ao consumo excessivo de produtos químicos, energia elétrica e mão-de-obra. As plantas mais antigas, por exemplo, não são automatizadas e têm praticamente todas as suas operações de forma manual. A automatização de sistemas nos dias de hoje é algo muito simples e permite o retorno do investimento muito rapidamente.

4) Novas exigências legais ou intenção de reúso

A introdução da nova Portaria 518 do Ministério da Saúde, por exemplo, no que se refere ao tratamento de água de consumo humano, obrigou todas as concessionárias públicas a se preocuparem com elementos que não eram monitorados no passado, como os sub-produtos da cloração (trihalometanos). Da mesma forma, uma estação de tratamento de esgotos domésticos que foi concebida apenas para atender a legislação para descarte em corpos d’água (CONAMA 357), muito provavelmente não vai conseguir atender a uma demanda de reúso, mesmo que para fins industriais pouco exigentes. Por outro lado, a implantação de um sistema de tratamento terciário de alta qualidade numa estação de efluentes, pode permitir o reúso e a conseqüente redução do consumo de água. Também aqui, o retorno dos investimentos é rápido e certo.

5) Depreciação e fim da vida útil de equipamentos e materiais

Mesmo que nada tenha mudado no sistema, os equipamentos e materiais têm sua vida útil limitada e quando se vai fazer a reposição dos mesmos, percebe-se que há coisas novas, mais modernas e melhores. Ocorre que a troca do item por outro mais moderno pode exigir alterações no projeto original, o que vai demandar uma avaliação mais cuidadosa para que não haja comprometimento do objetivo final. Por exemplo, um antigo sistema de desidratação de lodos por prensa desaguadora de telas (belt-press) pode ser substituído com inúmeras vantagens por centrífugas ou outros equipamentos rotativos. No entanto, certamente haverá alterações hidráulicas e elétricas que vão demandar um novo projeto.

De forma geral, o principal problema dos estudos de “retrofitting” ou reabilitação é o fato do sistema não poder ser paralisado durante as obras. Trata-se de um planejamento complexo, que pode exigir a instalação de sistemas provisórios ou móveis.

Outro ponto a ser observado são as possíveis alterações em obras civis. A adoção de soluções mais modernas pode fazer com que alguns tanques de concreto do sistema original não sejam mais necessários, sendo preciso avaliar a viabilidade de reformas e até demolições completas.

pag 27

FONTE: Revista Meio Filtrante – http://www.meiofiltrante.com.br/

ÚLTIMOS ARTIGOS:

CATEGORIAS

Confira abaixo os principais artigos da semana

Abastecimento de Água

Análise de Água

Aquecimento global

Bacias Hidrográficas

Biochemie

Biocombustíveis

Bioenergia

Bioquímica

Caldeira

Desmineralização e Dessalinização

Dessalinização

Drenagem Urbana

E-book

Energia

Energias Renováveis

Equipamentos

Hidrografia / Hidrologia

Legislação

Material Hidráulico e Sistemas de Recalque

Meio Ambiente

Membranas Filtrantes

Metodologias de Análises

Microplásticos

Mineração

Mudanças climáticas

Osmose Reversa

Outros

Peneiramento

Projeto e Consultoria

Reciclagem

Recursos Hídricos

Resíduos Industriais

Resíduos Sólidos

Reúso de Água

Reúso de Efluentes

Saneamento

Sustentabilidade

Tecnologia

Tratamento de Água

Tratamento de Águas Residuais Tratamento de águas residuais

Tratamento de Chorume

Tratamento de Efluentes

Tratamento de Esgoto

Tratamento de lixiviado

Zeólitas

ÚLTIMAS NOTÍCIAS