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Represa de Pirapora/rio Tietê seriamente assoreado!

Massao Okazaki – Eng. Civil – Voluntário Sócio-Ambiental Janeiro/2006

Apenas para registro, membro da CT-RHN do Comdema de Jundiaí/SP

Objetivo:

Com uma seqüência de 7 (sete) fotos da represa de Pirapora, desde a barragem Edgard Souza até a barragem de Pirapora, procuro chamar a atenção da sociedade paulistana que a represa de Pirapora/ Rio Tietê pode estar seriamente assoreada.

As fotos dispensam comentários, entretanto, tomei a liberdade de tecer algumas observações sobre cada uma delas.

Considero que providências urgentes deveriam ser tomadas para recuperar a sua capacidade volumétrica de armazenamento de água para enfrentar a temporada de chuvas fortes futuras e a que se encontra em andamento e, para interromper, ao menos, a contínua descida de lixo e de lodo rio Tietê abaixo.

Recomendo a todos que visitem, não só uma vez, mas várias vezes as duas cidades históricas e religiosas para se ter uma idéia real da gravidade da poluição e do assoreamento da represa de Pirapora (rio Tietê).

Perguntas:

Peço licença para dirigir a seguinte pergunta para as nossas autoridades:

Será que o assoreamento da represa de Pirapora e da barragem Edgard Souza não foi provocado também pelas duas fases das obras do Projeto Tietê?

Justifico, além dos finos sedimentáveis e do lixo que normalmente flui rio Tietê abaixo, juntou-se a eles os finos suspensos e/ou sedimentáveis decorrentes do revolvimento do fundo do canal do rio Tietê, ao longo do andamento dos serviços das Fases I e II do Projeto Tietê.

Referências dizem que suspensões coloidais de terra podem sofrer biomineralização e consequentemente se tornarem sedimentáveis mais a frente e, portanto, ajudar a engrossar o assoreamento.

Foto nº. 01 – Barragem Edgard Souza – Santana de Parnaíba:

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Esta foto tirada no dia 22/10/2005 mostra que a barragem Edgard Souza também está seriamente assoreada e que providências urgentes também terão que ser tomadas desde este ponto até o Cebolão.

Foto nº. 02 – Santana de Parnaíba:

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Esta foto foi tirada no dia 28/05/2005 mostra a vista a montante a partir do viaduto que liga o centro ao bairro da Fazendinha. Ela mostra o enorme banco de assoreamento que se formou nas margens do rio Tietê. Do mesmo viaduto pode-se observar em outros ângulos, a montante e a jusante, outras enormes áreas (bancos) de assoreamento. Vejam um detalhe preocupante: até onde chega a água sempre que chove muito forte na RMSP, ou seja, em pouco tempo o nível da água atinge a sua cota máxima.

Foto nº. 03 – Vau Novo:

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Este trecho da represa fica situado ao lado da rodovia dos Romeiros (SP 312) a meio caminho de Pirapora, numa região conhecida (outro lado) como Vau Novo. Notem o grande banco de assoreamento e a grande curva que faz o rio Tietê contra a barranca que sustenta a rodovia.

Alerto as autoridades que a força do movimento das águas voltadas para este lado está corroendo, pouco a pouco, a base desta mesma barranca.

Comparem também na cor marrom as água deste trecho com a cor preta na descarga da barragem (Foto nº. 07), isso indica que está havendo a descarga real de muito lodo preto acumulado a montante da barragem de Pirapora.

Foto nº. 04 – Mamoré:

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Este ponto fica situado a ~5 km antes de Pirapora, subida do morro, rodovia SP 312.

A foto foi tirada no dia 29/05/2005, logo após as fortes chuvas que ocorreu nesse mês na RMSP. Neste ponto o rio Tietê faz uma grande curva para direita formando uma enorme baia conhecida como Mamoré. Ela pode ser um dos locais estratégicos para um eventual serviço de desassoreamento da represa e do próprio rio Tietê. Ela poderá servir de local para retenção e acúmulo temporário do material assoreado (lixo, lodo e areia) durante o andamento desses serviços (em mutirão).

Foto nº. 05 – Sidarta:

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Esta foto foi tirada do alto do morro, cerca de 2 km antes da cidade de Pirapora, rodovia SP 312 que liga Santana de Parnaíba a Pirapora do Bom Jesus.

O represamento do rio Tietê formou neste local uma grande baia conhecida como Sidarta, pois, ela faz frente com o bairro de mesmo nome. Percebe-se a gravidade da situação do assoreamento desta represa. A exemplo da baia Mamoré, este pode ser mais um dos locais estratégicos para o serviço de desassoreamento.

Foto nº. 06 – A montante da barragem de Pirapora:

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O lado esquerdo parece estar seriamente assoreado. A parte superior do banco de lodo decantado denuncia isso.

Como a saída de fundo, está localizada no lado direito, a água tende a fluir por esse lado fazendo uma curva voltada para esse mesmo lado (C invertido). Isso também pode ser preocupante, pois, pode destruir, pouco a pouco, a base da barranca da margem direita.

Outro fator que se deve levar em consideração é que os sedimentáveis mais pesados presentes no fluxo das águas se depositam no lado interno da curva, o que justifica o assoreamento maior no lado esquerdo.

Foto nº. 07 – Descarga da barragem de Pirapora:

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É impressionante a descarga da enorme quantidade de lodo e lixo que estava sendo realizada nesse dia, 12/01/2006, na barragem de Pirapora e na barragem Edgard Souza. As águas se apresentavam lamacentas e pretas em forma de caldo (partículas pretas em suspensão visíveis a olho nu).

Pobre povo sofrido de Pirapora e de Santana do Parnaíba, o cheiro contínuo dos gases é insuportável principalmente quando se faz um sol forte como nesse dia e, pior, com pouco vento.

Considero que deveríamos fazer alguma coisa por essas cidades, urgente!

Felizmente, se contarmos com as propriedades físico-química dos colóides do solo e com os microorganismos dos reinos fungi, protista e plantae, considero que poderemos promover o desassoreamento (nova forma proposta) desta represa e de outros corpos hídricos com segurança e rapidamente.