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Qualidade da água de abastecimento público do município de Jaboticabal, SP

Resumo: A água de abastecimento público pode ser um veículo de doenças e agravos à saúde humana, portanto, é necessário um tratamento eficiente e constantes avaliações da sua qualidade. O presente estudo objetivou avaliar a dinâmica populacional de indicadores microbiológicos e parâmetros físico-químicos da qualidade da água em diferentes pontos de uma estação de tratamento de água do tipo convencional, do sistema de distribuição e dos mananciais de abastecimento do município de Jaboticabal, São Paulo, nas estações chuvosa e de seca. Os resultados demonstraram que, apesar do manancial superficial apresentar qualidade microbiológica inferior (comparado aos demais mananciais estudados), após tratamento convencional foi obtida a potabilidade do mesmo. A estação chuvosa foi crítica para amostras coletadas nas etapas logo após adição de cloro, principalmente no sistema de distribuição do manancial subsuperficial. Dentre os pontos avaliados na rede de distribuição, os reservatórios domiciliares apresentaram o maior número de amostras fora do padrão de potabilidade, principalmente na rede abastecida pelo manancial subsuperficial. São necessárias estratégias para a melhoria do processo de tratamento da água do dreno — voltado para a redução da turbidez — principalmente na estação chuvosa; assim como programas de educação em saúde para a população, a fim de melhorar a qualidade da água no ponto de consumo, a partir da limpeza periódica dos reservatórios domiciliares.

Introdução: Cadeia produtiva pode ser definida como todas as atividades que envol vam a transformação da água disponível no ambiente em água potável, desde o manancial, passando pelo tratamento e rede de distribuição até o reservatório domiciliar (SINGH & DEVI, 2006). Dentro dessa cadeia produtiva existe uma grande quantidade de possíveis pontos de contaminação e períodos críticos que necessitam ser estudados e identificados. O estudo da cadeia produtiva da água pode ser útil para aumentar a segurança da população consumidora, considerando que os sistemas públicos de abastecimento de água atendem grandes populações e a contaminação da água pode acarretar doenças e agra vos em larga escala.
A avaliação da cadeia produtiva deve considerar as característi cas sazonais do ambiente manancial, como por exemplos, a estação chuvosa e de seca. Nas regiões tropicais, a contaminação da água dos mananciais tende a aumentar na estação chuvosa devido, principal mente, à água de escoamento superficial (NAUMOVA, 2006). Segundo Camargo e Paulosso (2009), a água de escoamento aportando nutrien tes e microrganismos foi o principal responsável pela contaminação de poços em Carlinda, Mato Grosso. Além do manancial, o mau fun cionamento da estação de tratamento, trabalhos de manutenção e tra tamento inadequado são os principais responsáveis pela produção de uma água contaminada (GOLDSTEIN et al., 1996; SILVA et al., 2014). Além dos riscos existentes na variação das características do manan cial em função da sazonalidade e no processo de tratamento, a quali dade da água pode se deteriorar ao longo do sistema de distribuição (AL JASSER, 2007), possibilitando a ocorrência de doenças e agravos de veiculação hídrica na população consumidora (SEMENZA et al., 1998), como observado em 1993 no sistema de distribuição de água do município de Gideon, Missouri, nos EUA, onde os reservatórios de água potável continham fezes de aves contaminadas por Salmonella typhimirium. Essa contaminação resultou em 15 hospitalizações e 7 mortes (HRUDEY; HRUDEY; POLLARD, 2006). No Brasil não há dados na literatura apresentando de forma abrangente a magnitude desse problema. As chuvas podem depreciar a qualidade da água dentro da rede de distribuição devido à introdução de nutrientes (principalmente carbono orgânico assimilável, que contribui para o crescimento das taxas de metabolismo heterotrófico microbiano) e/ou de bactérias no sistema de distribuição, por meio de fendas nas conexões ou pressão negativa gerada pela interrupção do fluxo da água (LECHEVALLIER; WELCH; SMITH, 1996). A norma brasileira estabelece padrões de qualidade distintos para águas naturais e tratadas. Para águas naturais, a Resolução nº 357 do Conselho Nacional do Meio Ambiente (BRASIL, 2005) “dispõe sobre a classificação dos corpos de água e diretrizes ambientais para o seu enquadramento, bem como estabelece as condições e padrões de lan çamento de efluentes, e dá outras providências”. As águas tratadas são normalizadas conforme a Portaria nº 2914/2011 do Ministério da Saúde (BRASIL, 2011). Essa portaria “dispõe sobre os procedimentos de con trole e de vigilância da qualidade da água para consumo humano e seu padrão de potabilidade”. O presente estudo objetivou avaliar a qualidade de água em diferen tes pontos do sistema de distribuição de água da cidade de Jaboticabal, situada na região nordeste do estado de São Paulo, na estação chuvosa e de seca. Para tanto, foram analisados indicadores microbiológicos e físico químicos de qualidade de água (coliformes totais, E. coli, bac térias mesófilas heterotróficas, turbidez, pH, cor aparente, fluore tos e cloro residual livre – CRL) em diferentes pontos do tratamento convencional e do sistema de distribuição. Os resultados obtidos foram comparados com os valores máximos permitidos presentes nas nor mas brasileiras vigentes.

Autores: Leandro Jorge da Silva; Laudicéia Giacometti Lopes e Luiz Augusto Amaral.

Leia o estudo completo: qualidade-da-agua-de-abastecimento-publico-do-municipio-de-jaboticabal-sp