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Estudo da qualidade da água distribuída à população de Macapá/AP pelo sistema público de abastecimento

Resumo

A água é um elemento essencial à vida humana para manter em homeostasia em suas atividades biológicas. Trata-se de um veículo biológico muito importante que facilita a absorção, biotransformação e eliminação de várias substâncias no organismo. A contaminação no processo de abastecimento de água pode acarretar doenças, no caso do fornecimento, com concentrações físico-químicas e de metais pesados superiores ao estabelecidos pela legislação. Nesse aspecto é de extrema importância o monitoramento do processo de abastecimento de água para consumo. Diante disso, o objetivo deste trabalho foi avaliar a qualidade da água captada e distribuída pelo sistema público de abastecimento de água da Companhia de Água e Esgoto do Amapá a fim de verificar possíveis alterações em parâmetros físico-químicos e contaminações por metais pesados. O método para investigação dos parâmetros físico-químicos foi conforme o standard Methods for the Examination of Water and Wastewater. E o método para análise de metais pesados, realizado pelo Espectrofotômetro de Absorção Atômica, foi aplicado em amostras de água do Rio Amazonas, antes do tratamento, e nas amostras nas saídas dos reservatórios de distribuição de água tratada, fornecido pela Companhia de Água de Macapá-AP. Com base nos resultados dos parâmetros físico-químicos, foi possível observar quanto ao pH, que os bairros de coleta amostral, apresentaram-se dentro dos limites recomendados pela legislação, com exceção do Bairro centro que apresentou água ácida pH de 4,2±0,09 (n=3). Segundo os resultados, 70% da água dos bairros de Macapá apresentaram-se fora dos limites legais preconizados para turbidez, constatou-se que a maiorias das amostras de água encontravam-se acima do limite de 5.0 UT. Não houve diferença significativa (p>0.05) entre os pontos de coleta para o parâmetro temperatura, sendo o menor valor encontrado de 27,9±2,29 °C. Quanto a concentração de metais nas amostras, foi observado valores superiores ao que preconiza a Resolução 357/05 do CONAMA. O teor de Ferro nas amostras demonstrou que 100% dos pontos de coletas estavam com valores acima dos limites preconizados pela resolução CONAMA 357/2005, e segundo a legislação é permitido até no máximo 0.3 mg.L-1. Na concentração de Chumbo, os pontos variaram em 0.001 a 0,08 mg.L-1, demonstrando que 66.67 % das amostras estavam em desacordo com os limites permitidos para o teor de chumbo. Na concentração de cobre (Cu), os valores variaram de 0.02 a 0.08 mg.L-1 nos diferentes pontos de coletas, sendo que o limite permitido é de 0,02 mg.L-1. Dessa forma 100% dos pontos de coletas encontravam-se com valores superiores ao permitido. Para os valores de Cromo (Cr), foi possível observar que 100 % das amostras encontravam-se dentro do limite preconizado pela legislação com uma média de 0.03±0.002 mg.L-1. Na conclusão foi demonstrado que tanto as concentrações de Ferro, Chumbo e Cobre, apresentavam-se em valores superiores ao que preconiza a Resolução 357/05 do CONAMA.

Introdução

A água é um elemento essencial à vida humana e necessária a homeostasia das atividades biológicas do organismo. Trata-se de veículo biológico muito importante que favorece a absorção, biotransformação e eliminação de várias substâncias no organismo, além de servir para preservar a estabilidade da temperatura corporal. (TELLES; COSTA, 2007).

A água disponibilizada para consumo à população nos locais de distribuição envolve distintos pontos de conexão no sistema de abastecimento, que vão desde a coleta da água no reservatório natural, passagem por pontos de tratamento e posterior dispensa para sistema de distribuição domiciliar. Nesse sentido, o sistema público de abastecimento de água pode favorecer à falhas no tratamento contribuindo para a presença de elementos potencialmente tóxicos, como por exemplo metais pesados, que podem ser responsáveis por efeitos nocivos sobre o ambiente e a saúde pública. (SILVA; LOPES; AMARAL, 2016).

A introdução de metais nos sistemas de abastecimento ocorre naturalmente através de processos geoquímicos, no intemperismo e principalmente na atividade humana em regiões de rios onde há exposição à mineração e atividade industrial (FÖRSTNER; WITTMANN, 2012). Além desses, a má qualidade da água quanto ao teor de metais, pode ocorrer a partir da entrada desses minerais pelas fendas das conexões ou danificações dos sistemas de tubulações por pressão exercida pelo solo. A contaminação por metais pesados no processo de abastecimento de água pode acarretar doenças devido a utilização desta água com limites superiores ao estabelecidos pelas legislações. Nesse aspecto é de extrema importância o monitoramento do processo de abastecimento de água para consumo (AL‑JASSER, 2007).

A Vigilância da Qualidade da Água (VIGIÁGUA) enfatiza que a água para fins de abastecimento público está cada vez mais vulnerável aos poluentes ambientais, principalmente metais oriundos da contaminação do solo e afluentes (DANIEL; CABRAL, 2011). Estes contaminantes comprometem a qualidade da água e a falta de investimentos e tratamento adequado, produz condições ambientais inadequadas e propicia o surgimento de doenças decorrentes da presença de metais acima dos valores permitidos pelas agências regulatórias veiculados na água de abastecimento (SNIS, 2014).

Em Macapá, o sistema de auditoria atual da qualidade das águas da cidade, visa somente à pesquisa de bactérias e alguns minerais não tóxicos para a saúde humana, portanto, é de suma importância estudos que busquem um perfil mais abrangente da composição dos metais veiculados nas águas de abastecimento público.

O intenso progresso industrial acontecido nas últimas décadas vem sendo um dos principais elementos do comprometimento das águas em pontos de coletas naturais (QUEIROZ et al., 2012), em função do descaso no tratamento dos resíduos industriais antes de despejá-los nos rios, além dos acidentes e descuidos que ocorrem propiciando a emissão dos poluentes nos recursos hídricos amapaenses (MAGOSSI; BONACELLA, 2008).

A emissão de resíduos industriais altera por várias vezes a concentração dos metais pesados nos rios, por intermédio de seus alastramentos no solo, no ambiente e na água, o que vem sendo razão de receio no mundo. Os metais são capazes de ser carreados por meio líquido como a água pluvial, infiltrando-se no solo, atingindo o lençol freático e contaminando a água subterrânea. A contaminação dessas águas possui efeitos que persistem por tempo ambíguo e são de complicada remediação (CAMPOS et al., 2002; MAGOSSI; BONACELLA, 2008).

Diante de todo o contexto abordado, esta pesquisa teve por finalidade avaliar a qualidade da água distribuída à população de Macapá pelo sistema de abastecimento público.

Autor: Giovanni Paulo Ventura Costa.