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IV Fórum Mundial da Água: Ações Locais para um Desafio Global

César Herrera
Secretário-Geral do IV Foro Mundial da Água

O Conselho Mundial da Água (World Water Council – WWC) foi estabelecido em 1996, em resposta à crescente preocupação da comunidade internacional sobre questões relacionadas à água. O WWC é um “tanque de pensamento” que lida com tais questões, formado pela iniciativa de especialistas de água, comunidade acadêmica e organizações internacionais. O WWC concebeu os Fóruns Mundiais da Água como uma tentativa de aumentar a consciência sobre problemas de água no mais alto nível político e na sociedade em geral. Desde 1996, os Fóruns têm sido organizados conjuntamente entre o WWC e o respectivo país anfitrião.

O I Fórum Mundial da Água aconteceu em Marrakech, Marrocos, em Março de 1997. Participaram desse Fórum vários atores sociais influentes da comunidade de água. Como resultado, o WWC recebeu o mandato de elaborar uma visão da água, vida e ambiente natural no século XXI.

O II Fórum aconteceu em Haia, Holanda, em Março de 2000, durante o qual foi apresentada a “Visão Mundial da Água”. O principal tema do Fórum foi “Da Visão à Ação” e reuniu pessoas de todo o mundo, preocupadas com questões relacionadas à água. Paralelo ao Fórum, se realizou uma Conferência Ministerial, com a participação de 114 países.

O III Fórum Mundial da Água aconteceu em Kyoto, Shiga e Osaka, Japão, em Março de 2003. Esse Fórum foi a maior conferência de água da história, reunindo 24.000 pessoas. Muitos dos princípios, que foram estabelecidos ao final, caracterizam os Fóruns: foi aberto a todos, criado através da participação e com o objetivo de traduzir visões em ações concretas. Outros componentes inovadores desse Fórum foram o Fórum Virtual da Água e o Projeto Vozes da Água. Uma Conferência Ministerial aconteceu em paralelo e reuniu 130 representantes no nível ministerial.

Em Outubro de 2003, o Conselho de Diretores do WWC aprovou a realização na capital do México, entre 16 e 22 de Março de 2006, do IV Fórum Mundial da Água. O principal tema será “Ações Locais para um Desafio Global”. Os Fóruns avançaram da Visão Mundial da Água – um produto do II Fórum – para o estabelecimento de ações concretas e compromissos – derivados do III Fórum. O desafio atual é levar avante aquelas ações e compromissos envolvendo atores locais na construção social de uma visão das águas e canalizando apoio internacional para várias instituições e redes de organizações, visando ações locais específicas.

O tema principal do IV Fórum Mundial da Água “Ações Locais para um Desafio Global”, pretende encorajar a reflexão e o debate sobre os muitos desafios e oportunidades com relação à água que se apresentam às redes de instituições – que reúnem diferentes poderes e grupos governamentais, diversos tipos de atores, privados e voluntários, assim como instituições multilaterais e outras parcerias multi-agências híbridas – na tentativa de conduzir as localidades com que têm envolvimento para a sustentabilidade ambiental.

A água é uma questão que envolve muitos atores e, portanto, tem de ser considerada como um problema político que requer a criação de arenas deliberativas inclusivas e representativas para uma comunicação democrática horizontal entre todos os atores envolvidos. Ao estabelecer um foco local para o Fórum, o objetivo não é se referir somente a iniciativas de base, realizadas pelas comunidades. Mais do que isso, no contexto do Fórum, uma abordagem local buscará enfatizar que as localidades sejam repositórios complexos de energias sociais que podem convergir, se as redes institucionais aproveitarem a oportunidade para interações constantes, colaboração e sinergia entre atores sociais existentes. Dessa maneira, a partir dessa perspectiva local, é possível pensar que o que faz os caminhos de tais localidades diferentes – algumas vezes para melhor e outras para pior – é exatamente o fato de serem distintos os padrões de relações sociais que lhes deram forma.

Assim, a perspectiva local deve dar reconhecimento aos valores das instituições, a uma cultura política cooperativa, ao conhecimento local, aprendizado social, solidariedade e cidadania. Parece importante enfatizar que as localidades nunca foram desprovidas de história e futuro, nenhuma localidade é auto-suficiente em si mesma e os caminhos que tomam sobre sua capacidade de adaptar-se, inovar e procurar um senso de propósito coletivo – algumas vezes até além dos limites definidos pelo local – cada vez mais transformam-nas em autênticas democracias e comunidades politicamente vigorosas.

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Colaboração: Maria do Carmo Zinato
Edição n° 101
Fonte: http://www.eco21.com.br