Os biofiltros aplicados ao tratamento de gases em indústrias de subprodutos animais podem gerar efluente líquido, principalmente a partir da drenagem do leito filtrante por chuvas ou por lavagens periódicas.
Esse efluente não se origina de correntes líquidas do processo produtivo, mas da solubilização e lixiviação de compostos removidos da fase gasosa e de substâncias presentes no próprio meio filtrante.
A composição do efluente drenado é condicionada por múltiplos fatores, com destaque para :
- tipo de meio filtrante utilizado ;
- idade do biofiltro ;
- condições climáticas e intensidade de chuva ;
- estágio de desenvolvimento microbiológico no leito.
Em indústrias de subprodutos animais, os gases tratados tipicamente apresentam compostos orgânicos voláteis e odoríferos, como ácidos graxos voláteis, compostos sulfurados, aminas e outros compostos nitrogenados. Parte dessas substâncias pode ser absorvida, adsorvida ou biodegradada no biofiltro, formando produtos solúveis que podem aparecer no efluente drenado.
Como resultado, é comum observar elevação de carbono orgânico dissolvido, frequentemente expressa como DQO.
Biofiltros recém-implantados tendem a apresentar comportamento distinto daqueles em operação contínua por longos períodos. Nos primeiros meses, o efluente gerado pode apresentar maior toxicidade, menor biodegradabilidade e maior presença de compostos refratários.
Com o envelhecimento do biofiltro, a toxicidade do efluente tende a reduzir de forma progressiva, associada à lavagem inicial de compostos solúveis e ao desenvolvimento de uma microbiota mais adaptada às condições do leito.
Quando o meio filtrante é composto por cavaco de eucalipto novo, há maior probabilidade de lixiviação de extrativos solúveis pela água de chuva. Entre os compostos citados estão taninos, fenóis, polifenóis e fragmentos solúveis de lignina.
A lixiviação desses extrativos pode ocorrer independentemente da carga de gases tratados, tornando-se uma fonte relevante de carga orgânica e toxicidade no efluente, especialmente nos primeiros meses de operação.
Os principais compostos associados à madeira de eucalipto incluem:
- fenóis e polifenóis ;
- ácidos orgânicos naturais ;
- compostos aromáticos derivados da lignina ;
- extrativos vegetais solúveis ;
Essas substâncias podem contribuir para coloração elevada, aumento de DQO, pH levemente ácido e efeitos inibitórios sobre microrganismos.
De acordo com análises realizadas pela Biotecnal, foram observados valores de FT (ensaio com Vibrio fischeri) de até 2.048 em efluentes provenientes de biofiltro novo. Esse tipo de resultado reforça a necessidade de atenção à estratégia de tratamento do efluente gerado na fase inicial de operação.
O controle desse efluente deve considerar duas frentes complementares:
- Manejo operacional do biofiltro, com foco em reduzir picos de lixiviação e evitar choques de carga e toxicidade ;
- Definição de rota de tratamento do efluente, baseada em diagnóstico e tratabilidade, considerando que compostos fenólicos e derivados de lignina podem reduzir biodegradabilidade e interferir em sistemas biológicos.
Em situações em que se identifica necessidade de atenuação de compostos tóxicos, a Biotecnal realiza diagnóstico e pode recomendar estratégias de condicionamento e tratamento, incluindo o uso do NUTRAT HB como alternativa com atuação por adsorção para neutralização e atenuação de compostos tóxicos, conforme aplicabilidade ao caso.

O efluente drenado de biofiltros é uma corrente frequentemente subestimada, mas pode apresentar carga orgânica elevada e, sobretudo em biofiltros novos com certos meios filtrantes, níveis relevantes de toxicidade. A caracterização adequada, aliada a medidas de manejo e à definição de uma rota de tratamento compatível, é fundamental para garantir estabilidade operacional e conformidade ambiental, com foco em soluções sustentáveis e tecnicamente embasadas.

Fonte: Biotecnal