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Gerenciamento da explotação do aquífero guarani em Ribeirão Preto-SP

Introdução

Diversos estudos, realizados desde a década de 1970, indicam que a super explotação provoca o abatimento piezométrico no Sistema Aquífero Guarani (SAG), na cidade de Ribeirão Preto (Figura1), abastecida exclusivamente com água subterrânea, sobre responsabilidade da autarquia municipal-Departamento de Água e Esgoto de Ribeirão Preto-DAERP.

O estudo realizado pela Geo Water (2017), com base em dados de monitoramento piezométrico, de 2014 a 2017, indica que na área central a cota piezométrica rebaixou mais 25 metros, desde o ano de 2006, quando foram criadas zonas de restrição e controle.

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Caracterização do problema

Durante o ano de 2016 estavam em operação 100 poços do DAERP e 274 poços particulares. A vazão outorgada variava entre 27 e 254 m³/h para os poços do DAERP e de 0,5 a 230m³/h dos poços particulares, mas 90% do volume total extraído destina-se ao abastecimento público.

O balanço hídrico do SAG, dentro da área estudada (651km²), apresenta déficit hídrico anual estimado em mais de 92.000.000 de m³ e 90% da explotação está concentrada em uma área de apenas 50 km², causando alívio de pressão de mais de 100m no ponto central do cone de abatimento piezométrico.

Atualmente, os impactos negativos do abatimento piezométrico que já são sentidos são: redução da vida útil dos poços; necessidade de construir poços de custo mais elevado, com maior profundidade e diâmetro; necessidade de equipamentos de bombeamento de maior potência; e aumento do custo unitário da água produzida,devido ao maior consumo de energia elétrica.

Caso sejam mantidas as condições atuais, a evolução do abatimento piezométrico até o ano de 2050, deverá representar um adicional de até 60m, fazendo com que na área central o aquífero passe de confinado a livre, podendo originar consequências negativas na qualidade da água.

Autor: Geólogo Julio Cesar Arantes Perroni.