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Estudo geoquímico da disposição de lodo de estação de tratamento de água em área degradada

Geochemistry of the final disposal of the water treatment residuals on degraded area

Ricardo Cosme Arraes MoreiraI,*; Edi Mendes GuimarãesI; Geraldo Resende BoaventuraI; Alessandra Morales MomessoII; Gilmar Lopes de LimaII

IInstituto de Geociências, Campus Universitário Darcy Ribeiro, Universidade de Brasília, 70910-900 Brasília – DF, Brasil
IICompanhia de Saneamento Ambiental do Distrito Federal, 70620-000 Brasília – DF, Brasil

ABSTRACT

This survey determined the physical and chemical properties of the gravel place where urban sludge from Rio Descoberto’s Water Treatment Plant is disposed. Physical, chemical and biological analysis of the soil samples (n=54), sludge samples (n=2), chemical coagulant (n=20) and samples from superficial waters (n=9) and water table (n=60) were performed. As results we can emphasize the horizontal distribution of mineral phases like gibbsite, organic material, exchanged Ca, available Mn and P on the soils are originated from the sludge. Some of these mobile elements could stimulate the growing of the vegetation, but they also could contaminate the water table.

Keywords: sludge from water treatment plant; degraded areas; environmental geochemistry.

INTRODUÇÃO

O lodo químico produzido pelas Estações de Tratamento de Água, LETA, é um resíduo gerado no processo de tratamento da água, principalmente nas etapas de decantação e lavagem dos filtros. Trata-se de um material extremamente gelatinoso, composto por hidróxidos de alumínio, partículas inorgânicas como argila e silte, colóides de cor e microrganismos, incluindo plâncton, além de outros materiais orgânicos e inorgânicos, que são removidos da água bruta ou, ainda, provenientes dos produtos químicos adicionados ao processo.1,2 Seu pH varia de 5 a 7, sendo insolúvel na faixa natural de pH da água.

Estima-se que no Brasil sejam despejadas 2.000 t/dia de LETA diretamente nos cursos d’água sem qualquer tratamento.3 Essa prática pode contribuir para o consumo de oxigênio dissolvido no curso d’água, levando a condições anaeróbias, com produção de odores, crescimento excessivo de algas e mortandade de peixes.4 Alguns estudos mostraram a toxicidade crônica desse material para os organismos aquáticos, assim como a degradação da qualidade da água e dos sedimentos.5,6

No entanto, dada a crescente preocupação com os aspectos negativos que a disposição inadequada do LETA possa trazer ao meio ambiente, outras práticas têm sido adotadas. Dentre elas, a utilização como insumo agrícola,4,7 a recuperação de áreas degradadas,2,4,8,9 a codisposição em aterros sanitários,1,10,11 a reciclagem de resíduos da construção civil,12 o uso como coagulante para estações de tratamento de esgotos,13 a regeneração do coagulante,14 entre outras.

As características do LETA o tornam mais similar ao solo que os lodos de esgotos.15 Neste caso, o nitrogênio e a matéria orgânica contida no LETA são, em geral, mais estáveis, menos reativos e em menores concentrações.

Na Estação de Tratamento da Água Rio Descoberto, ETA-RD, o lodo proveniente da lavagem dos filtros é centrifugado e encaminhado para a cascalheira desativada, desde março de 1997, para ser utilizado na recuperação daquela área degradada.16 A ETA-RD tem capacidade nominal para 6.000 L/s, utiliza o coagulante sulfato de alumínio férrico no tratamento da água do Lago Descoberto e trabalha com um alto índice de automatização dos seus processos. A produção anual de LETA desta estação ultrapassa 2.000 t.

O uso de cascalheiras para a disposição final do lodo é uma prática adotada no Distrito Federal, mas ainda são poucos os estudos que atestem sobre os riscos que os componentes desse material possam trazer a essas áreas mineradas.

Neste trabalho procurou-se estabelecer os efeitos da disposição do LETA em uma área degradada pela extração da cobertura laterítica (cascalheira) e suas consequências no solo e nas águas superficial e subterrânea. Para tanto, pretendeu-se determinar a existência, a concentração e a mobilidade dos elementos e compostos químicos de origem antrópica, por meio de estudos mineralógicos e geoquímicos pela comparação do local de disposição do LETA com outras áreas adjacentes.

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* e-mail: ricardomoreira@caesb.df.gov.br

 

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