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Validação de método espectrofotométrico para determinação do teor de H2O2 em água de abastecimento público

Resumo

Neste estudo, foi validado um método espectrofotométrico para determinação do teor de peróxido de hidrogênio em águas de abastecimento público. A reação colorimétrica foi baseada na reação entre H2O2 e Titanium (IV) bis (ammonium lactato) dihydroxide solution, que em meio aquoso formam um complexo com absorbância máxima em 410 nm. O método desenvolvido atendeu todos os parâmetros preconizados pela Resolução nº 833 de 2003 da ANVISA, com R² 0,99, coeficiente de variação (precisão) 3,7%, exatidão 97%, limite de quantificação de 0,65 mg L-1 e limite de detecção de 2,17 mg L-1, podendo ser aplicado para determinação de peroxido de hidrogênio residual, contribuindo para outras pesquisas e aplicações de tratamento de água que utilizem peroxido de hidrogênio como agente de desinfecção.

Introdução

O peroxido de hidrogênio (H2O2) é umas das substancias mais utilizadas em processos de oxidação para tratamento de águas e efluentes. Diversos processos oxidativos avançados como a fotoperoxidação de H2O2, Fenton, Foto-fenton, dentre outros, empregam o peroxido de hidrogênio como reagente precursor. Este composto é um agente oxidante forte, com potencial padrão de 1,80 e 0,87 V, respectivamente, para pH 0 e 14. No entanto, o peróxido de hidrogênio sozinho não possibilita a oxidação de compostos poluentes, sendo necessário combiná-lo com outros agentes químicos e físicos para geração de radicais hidroxila. Esses agentes incluem o íon ferroso, o ozônio e a radiação UV (Aoudj et al., 2018). O uso do peróxido de hidrogênio como oxidante possui inúmeras vantagens sobre outros tratamentos químicos como aqueles que utilizam cloro e ozônio: é comercialmente disponível, possui estabilidade térmica, pode ser estocado on-site, apresenta solubilidade infinita em água e não gera subprodutos em processos de desinfecção, como organoclorados, por exemplo (Ramos, 2020).

O monitoramento dos níveis deste composto é indispensável, uma vez que, a presença de peróxido residual pode causar sérios danos ao meio ambiente, no caso de águas residuais tratadas, ou sérios danos a saúde da população, no caso de água destinada ao abastecimento público. Para que uma metodologia analítica possa ser considerada segura, ela deve atender aos critérios de aceitação descritos por entidades reguladoras, permitindo uma correta interpretação dos resultados analíticos (Skoog, 2014). A validação de um método analítico é definida como um processo segundo o qual se estabelece, através de ensaios laboratoriais, que o desempenho do método obedece aos requisitos da aplicação analítica. É um aspecto crucial para garantir a qualidade analítica desse método e implementar um sistema de controle de qualidade em qualquer laboratório analítico.

A ANVISA, em sua resolução nº 899, de 29 de maio de 2003, e o INMETRO, no documento DOQCGCRE- 008, de 2006, citam os requisitos mínimos para a validação de um método analítico. Os parâmetros considerados os mais significativos para a realização de validação de método são linearidade, precisão, exatidão e limiares analíticos dos quais fazem parte, o limite de quantificação (LQ) e o limite de detecção (LD) (Skoog, 2014).

Autores: Railson de Oliveira Ramos; Maria Virgínia da Conceição Albuquerque; Amanda da Silva Barbosa Cartaxo; Maria Célia Cavalcante de Paula e Silva; Josivaldo Rodrigues Sátiro; Valderi Duarte Leite; Mário César Ugulino De Araújo e Wilton Silva Lopes.