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Energia puxa demanda por mineral crítico

Energia puxa demanda por mineral crítico

Estudo da EPE diz que renováveis vão assegurar crescimento de insumos como cobre

A demanda por minerais estratégicos pelo setor energético deve crescer nos próximos dez anos, especialmente na geração renovável e nos veículos elétricos, de acordo com a Empresa de Pesquisa Energética (EPE).

A entidade mapeou, para o Plano Decenal de Expansão da Energia 2034 (PDE 2034), a demanda por minerais estratégicos. O propósito foi traçar cenários para esses insumos diante da crescente procura de setores por tecnologias ligadas à transição energética.

O assessor da presidência da EPE, Gustavo Naciff, diz que o PDE 2034 aponta perspectiva de que a geração de usinas eólicas e solares vai crescer 35%, ao passo que a demanda por minerais estratégicos deve aumentar 54%.

Eólicas e solares foram as fontes com maior uso de minerais e devem manter essa composição em 2034. Naciff destacou que tais percentuais indicam maior exigência, pela transição energética, de recursos minerais. No caso da eletromobilidade, as projeções indicam que o consumo de minerais estratégicos, sobretudo a grafita, vai crescer quatro vezes em dez anos.

Naciff apontou a necessidade de mapear os recursos minerais como parte do planejamento energético diante das eventuais mudanças tecnológicas em ritmo mais acelerado que podem ocorrer no futuro. “Mineração é um investimento de longo prazo, intensivo em capital e requer balanceamento”, disse Naciff, que participou nesta quarta-feira (8) do lançamento do Caderno “Minerais Estratégicos no Brasil: Oportunidades de Produção e Inserção no Mercado Global”, da FGV Energia. São considerados minerais estratégicos ou críticos materiais nobres usados em setores como semicondutores, transição energética, armazenamento de energia e equipamentos de defesa.

Presente ao evento da FGV Energia, Marcos Antônio Soares Monteiro, chefe da divisão de estudos técnicos e análise remota da mineração da Agência Nacional de Mineração (ANM), disse que o Brasil possui segurança jurídica e tem muito a ser descoberto no campo dos recursos minerais. Segundo ele, das 11.300 minas abertas, 169 estão associadas a minerais da transição energética.

Atual cenário, com rearranjos de poder, abre espaço para o Brasil” — Luiza Guitarrari Monteiro destacou que o que é considerado estratégico para o Brasil pode não ter o mesmo caráter em outros países. No caso brasileiro, por exemplo, o minério de ferro de alta qualidade é considerado um mineral crítico porque ajuda a descarbonizar a produção de siderúrgicas. Em alusão à discussão sobre as tarifas americanas sobre produtos exportados pelo Brasil e ao possível interesse daquele país em minerais críticos brasileiros, Monteiro destacou que o país possui segurança jurídica e regras estabelecidas para o segmento, o que deve balizar eventuais futuras discussões entre os dois países. “Não se entrega facilmente [minerais estratégicos], há regras para isso”, disse Monteiro.

Para o especialista, a necessidade de descobertas de novas jazidas “é para ontem” e a ANM busca agilizar a abertura de processos minerários da melhor forma, conciliando com as questões ambientais que envolvem o tema. Na visão de Luiza Guitarrari, pesquisadora da FGV Energia, o Brasil tem espaço para avançar na exploração e no desenvolvimento de minerais estratégicos diante do potencial ainda desconhecido e da concentração desses materiais nas mãos de poucos atores. Guitarrari também participou do lançamento do estudo.

A concentração de minerais estratégicos e o controle de toda a cadeia de valor nas mãos de poucos atores globais são pontos considerados como desafio para o país, segundo ela.

A China concentra, por exemplo, o beneficiamento de terras raras. Para a pesquisadora, o atual cenário geopolítico, com “rearranjos de poder”, somado à volatilidade nos preços de minerais são pontos que abrem espaço para o Brasil avançar no desenvolvimento da mineração de insumos para atender indústrias ligadas à transição energética. A pesquisadora salientou que o Brasil é o segundo maior produtor de cobre, grafita (usada em sistemas de veículos elétricos) e terras raras. O estudo da FGV Energia cita projeção da Agência Internacional de Energia (IEA, em inglês), segundo a qual a demanda por minerais críticos deve mais que triplicar até 2030, movimentando investimentos superiores a US$ 1 trilhão. “O país não pode perder a janela de oportunidades”, disse Guitarrari.

Fonte: Valor


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