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Do problema à solução

Como a Chrysler transformou os problemas de sua estação de tratamento de efluentes em recurso econômico e ambiental

No próximo ano a Daimler Chrysler implantará em sua fábrica de caminhões e ônibus Mercedes-Benz, em São Bernardo do Campo, um sistema de reúso que levará a uma economia de 50% do volume de água utilizado pela empresa. A implantação coroa um processo iniciado há seis anos, quando a empresa decidiu otimizar sua estação de tratamento de efluentes, que estava obsoleta. Construída no final da década de 70, a estação era vulnerável às mudanças de produtos químicos nos processos produtivos.

A reestruturação mexeu em praticamente todos os processos da fábrica e foi desenvolvida em três etapas. Primeiro, fizemos a segregação das redes de efluentes (de 98 a 99) em seguida, a adequação do tratamento físico-químico (de 2000 a 2001) e, depois, a adequação do tratamento biológico e de lodos, explica a engenheira Luciana de Oliveira, da área de Operação Ambiental. Nas três fases foram investidos R$ 15 milhões. Estamos atendendo às exigências legais, atingindo 96% de remoção da carga poluidora enquanto a legislação pede 80%, compara.

A GRANDE VIRADA

O que vai trazer a grande vantagem competitiva é a quarta fase: a implantação do sistema de reúso da água, que começa a vigorar no próximo ano. A água tratada voltará para a fábrica como insumo a ser reaproveitado nos processos de torres de resfriamento, cabines de pintura, tratamento de superfícies, máquinas de lavar, lavagem dos tanques, regas de jardim e, também, será reservada ao combate a incêndios.

Em apenas um ano de funcionamento, o sistema pagará a sua instalação. Com o reúso, o custo da água industrial será de aproximadamente R$ 1,00 por metro cúbico. Um valor altamente competitivo, se comparado ao que a concessionária local cobra para nos fornecer o mesmo tipo de água, comemora Luciana.

Resultado que compensa o esforço – Sem as modificações na estação de tratamento, o reúso não teria condições de ser implantado, afirma Luciana, que considera razoável o período de seis anos para a implantação das quatro fases, se levar em conta as mudanças necessárias, o tamanho da fábrica e os resultados alcançados. Tínhamos um problema até 1997 e o transformamos em benefício econômico e ambiental, avalia.

Por Elaine Carvalho,
da Agência IndusNet Fiesp
Fonte: http://www.fiesp.com.br