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Estudo comparativo entre os principais métodos de dessalinização de águas subterrâneas: revisão de literatura

Resumo

Os dessalinizadores têm sido adotados com cada vez mais frequência haja vista que as medidas convencionais, tais como construção de cisternas e açudes, não têm sido suficientes para suprir o consumo humano durante o período da estiagem. Este trabalho teve como objetivo comparar os tipos de dessalinizadores. Para tanto, foi feita uma ampla compilação de várias trabalhos das literaturas nacional e internacional disponíveis em bases de dados sobre a dessalinização e os tipos de dessalinizadores. Consideraram-se as vantagens e desvantagens, com o objetivo de identificar qual as principais características de cada método de dessalinização. Através da vasta revisão bibliográfica, foi possível identificar as principais características dos métodos de dessalinização. Dentre as tecnologias estudadas, cada uma se destaca em um meio diferente como água do mar ou poços, apresentando vantagens e desvantagens únicas. Portanto, a utilização de uma ou outra deve ser analisada caso a caso. Em comum, todas elas apresentam um grande consumo de energia elétrica, sendo este insumo o maior responsável direto pelo preço da água dessalinizada. A osmose reversa é tida como a melhor solução na maioria dos casos. É importante salientar que a dessalinização das águas é uma solução para o abastecimento de comunidades cuja relevância deverá se acentuar nos próximos anos, face à carência crescente de água potável no mundo.

Introdução

A crise hídrica no Brasil sempre foi uma realidade. Contudo, nos últimos anos, observa-se um agravamento deste cenário devido ao crescimento populacional aliado a uma maior frequência dos períodos de estiagem. Unindo-se a este fator, boa parte da água é utilizada sem racionalidade, desde o âmbito domiciliar, industrial e agrícola.

Além disso, há altos níveis de perdas que ocorrem durante a distribuição dela pelas concessionárias. Para se ter uma ideia, no Brasil, em 2013 esse índice chegou a 37%, contra 20% na Inglaterra, 7% na Alemanha e apenas 3% no Japão (Asta, 2015).

No semiárido brasileiro, a falta de água para o consumo humano deve-se a fatores naturais: baixo índice pluviométrico, temperaturas médias elevadas e irregularidade espacial e temporal na distribuição das chuvas (Rocha, 2008). Uma alternativa encontrada para driblar a carência hídrica e abastecer pequenas comunidades na região foi a perfuração de poços para exploração de águas subterrâneas.

Entretanto, muitas vezes a água encontrada nesses poços é imprópria para o consumo humano devido a problemas de salinidade. É neste contexto que entram os métodos de dessalinização.

A humanidade usa técnicas de dessalinização de águas há milhares de anos. Freire et al. (2015), apontam que há evidências do uso durante o império greco-romano, onde os navegadores usavam evaporação e condensação da água do mar para consumo em suas viagens, e que essa civilização também usava filtros de barro como forma de reter o sal.

Mesmo assim, a capacidade de dessalinização da humanidade ainda não foi capaz de comparar a feita pela natureza. Os mesmos autores afirmam que, através do ciclo da água do planeta, o conjunto oceanos/sol se constitui na maior usina de dessalinização que opera na planeta: quando o sol esquenta a água dos mares, ele provoca a sua evaporação. A aplicação desses processos não está restrita a apenas água dos mares e oceanos, mas também de fontes salobras. Nessas fontes, as águas têm concentrações de sal entre a doce e a dos mares. Isto pode acontecer em reservatórios subterrâneos em região semiáridas, por exemplo.

No Brasil, o Ministério do Meio Ambiente (MMA) lançou em 2004 o Programa Água Doce (PAD), cujo objetivo é investir em sistemas de dessalinização para abastecer populações em comunidades do semiárido no Nordeste e no norte de Minas Gerais, onde a disponibilidade hídrica é baixa e a salinidade das águas subterrâneas é elevada. Segundo o Ministério do Meio Ambiente:

Visa o estabelecimento de uma política pública permanente de acesso à água de
boa qualidade para o consumo humano, promovendo e disciplinando a
implantação, a recuperação e a gestão de sistemas de dessalinização ambiental e
socialmente sustentáveis para atender, prioritariamente, as populações de baixa
renda em comunidades difusas do semiárido (Brasil, 2016).

Os dessalinizadores têm sido adotados com cada vez mais frequência haja vista que as medidas convencionais, tais como construção de cisternas e açudes, não têm sido suficientes para suprir o consumo humano durante o período da estiagem. Diante disso, esse trabalho tem por objetivo fazer um estudo comparativo entre os métodos de dessalinização empregados de modo a identificar o mais vantajoso.

Autores: Juliana Ferreira Bezerra Mocock; Clarissa Nogueira Pessôa; Ângela Tainá da Silva Monteiro; Antônio Sérgio Caseira Gonçalves Torres e Emilia Rahnemay Kohlman Rabbani.