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Crescimento de mudas de pau viola (Cytharexyllum myrianthum) são potencializadas utilizando resíduos do tratamento de esgoto doméstico

Resumo

O lodo de esgoto é um resíduo rico em matéria orgânica e nutrientes minerais gerado nas Estações de Tratamento de Esgoto. Geralmente este resíduo é depositado em aterros sanitários, aumentando o volume de descarte no local, e por conseguinte os níveis de poluição. Não menos importante, perde-se um material que pode ser reaproveitado como adubo para o setor florestal e agrícola. No entanto, é pertinente mais estudos que viabilizem o seu uso, sobretudo em viveiros produtores de mudas nativas. O objetivo desse trabalho foi avaliar o desenvolvimento do pau viola (Cytharexyllum myrianthum), em relação ao lodo de esgoto compostado (LEC) e substrato comercial (SC), testando-se dois tipos de água, residuária e de abastecimento. Foram obtidos os seguintes parâmetros biométricos: altura, diâmetro do coleto e número de folhas, bem como a produção de matéria seca (raiz e parte aérea). Os resultados revelaram que não houve diferença significativa entre os tratamentos avaliados. Entre os tipos de água, as mudas da água residuária se desenvolveram mais, obtendo mudas de maiores valores de altura, número de folhas, diâmetro do coleto e matéria seca das folhas e raiz. Para a produção de mudas de pau viola, é aconselhável a utilização da combinação de LEC e o uso de água residuária para a irrigação. Acredita-se que com estas medidas haverá redução dos custos dos viveiros para a produção de mudas e da disposição desses resíduos no meio ambiente.

Introdução

A produção de mudas de espécies florestais é uma das etapas mais importantes do sistema produtivo, entretanto, é dependente de insumos, tornando o substrato indispensável devido à influência no enraizamento, retenção de água, nutrição e qualidade das mudas (Trazzi et al., 2013, 2014; Lustosa Filho et al., 2015). A necessidade de produção de mudas para plantios comerciais e recuperação de áreas degradadas tem promovido o desenvolvimento de tecnologias que envolvam a redução dos custos de manejo e que garantam um bom desenvolvimento em campo.

Dentre essas novas tecnologias, destacam-se a utilização de inúmeros resíduos que são reaproveitados de várias cadeias produtoras para o cultivo e geração de mudas nativas. Esses métodos, além de apresentarem vantagens socioambientais, também podem ser de baixo custo e com resultados nutricionais e fitossanitários importantes para diversas espécies florestais.

Neste contexto, o uso de lodo de esgoto compostado (LEC) vêm apresentando resultados positivos quando aplicado como substrato para a formação de mudas nativas (Trigueiro e Guerrini, 2014; Lobo et al., 2018). Esses benefícios ocorrem em razão do lodo ser rico em matéria orgânica, o que promove o incremento da fertilidade do solo, retenção de água e ciclagem dos nutrientes (Santos et al., 2014). Essas características o tornam uma alternativa economicamente viável, visto que seu uso diminui ou mesmo elimina a necessidade da aplicação de fertilizantes minerais, tornando o processo de formação de mudas mais sustentável, conservativo e econômico (Paez, 2011). Deve-se ressaltar que o processo de compostagem apresenta alta eficiência na eliminação de patógenos e gera um resíduo de alta qualidade agronômica, tornando o composto apto para o uso florestal (Santana et al., 2019), regulamentado pela Resolução CONAMA nº 375/2006 (Brasil, 2006).

Além do uso do LEC, o uso de águas residuária é igualmente uma alternativa viável, sobretudo pela crescente escassez hídrica e ao elevado consumo de água nos viveiros florestais (Araújo et al., 2016; Rebouças et al., 2018). Segundo Cromer (1980), o reuso de águas na atividade florestal constitui um método seguro por não envolver produção de alimentos e nem riscos à saúde, além de ser uma forma de ampliar a disponibilidade, bem como conservar os recursos hídricos existentes (Freireet al., 2010).

Muitas pesquisas têm procurado compreender como o uso de LEC pode contribuir para os aspectos sociais, ambientais e agronômicos. Espécies como o dedaleiro (Lafoensia pacari A.St-Hil), quaresmeira (Tribouchina granulosa Cogn.) e embaúba (CecropiahololeucaMiq.) tem sido alvo de sucesso desses estudos (Lobo et al. 2018; Santana et al., 2019; Morgado et al., 2020).

Neste cenário, ainda não há informações disponíveis de como a formação de mudas de pau viola (Citharexylum myrianthum Cham) ocorre se manejada com LEC e águas residuárias. Essa espécie tem sido muito utilizada em programas de recomposição de matas ciliares e com finalidades paisagísticas em praças e parques urbanos (Amaral et al., 2013), sendo que sua procura em viveiros especializados tem crescido significativamente. Deve-se destacar ainda que o pau de viola é nativo no país e tem ocorrência ampla no nordeste, sudeste e sul do Brasil, em formações de Cerrado, Caatinga e Mata Atlântica. É considerada uma espécie pioneira, apresentando ótima regeneração natural em vários estágios da sucessão secundária e produzindo anualmente uma grande quantidade de flores e frutos (Souza, 2014).

O objetivo do trabalho foi avaliar o desenvolvimento de mudas de pau viola cultivadas em substratos formados por LEC associado à irrigação com água residuária, originária da Estação de Tratamento de Esgoto de Bauru/SP.

Autores: Izabella Olhera; Marcos Vinícius Bohrer Monteiro Siqueiraa; Gustavo Henrique Gravatim Costab e Thomaz Figueiredo Lobo.

 

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