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Análise bacteriológica de águas residuais no distrito federal com a utilização do método do substrato enzimático

Resumo

A maioria das estações de tratamento encontra-se trabalhando acima de sua capacidade e requerendo um aumento de vazão em função da demanda que aumenta dia após dia. Uma grande parte dessas estações utiliza tradicionalmente o sulfato de alumínio como coagulante primário e poucas vezes usam algum tipo de polímero como auxiliar de floculação. Na escolha desses produtos nem sempre a qualidade da água a ser tratada é levada em consideração. Procurando atender aos padrões de qualidade exigidos e a sobrecarga que muitas vezes é
inevitável, observa-se que em cada caso haverá um coagulante e/ou um auxiliar de floculação mais adequado a essas situações. De posse de tal constatação, faz-se necessário que se investigue em laboratório por meio novas metodologias, os vários produtos que aplicados à água bruta possibilitam obter água tratada com qualidade, em quantidade satisfatória, visando sempre o menor custo.

Sendo assim, o presente trabalho vem relatar um estudo realizado em uma estação de tratamento de água projetada para a vazão nominal de 120 L/s, porém, funcionando com 158 L/s, apresentando por esse motivo, água decantada com altos valores de tubidez e cor, o que sobrecarrega os filtros.

Os estudos realizados nessa estação resultaram não só a melhoria da qualidade da água decantada e filtrada como também possibilitou o aumento de sua capacidade com razoável economia dos produtos químicos que atuam na coagulação. A estação trata atualmente a vazão de até 280 L/s, mantendo a qualidade da água conforme os padrões exigidos pela portaria 36/GM, de 1990.

Introdução

Microrganismos indicadores vêm sendo utilizados na avaliação da qualidade microbiológica da água há muito tempo. São grupos ou espécies de microrganismos que, quando presentes podem fornecer informações sobre a ocorrência de contaminação de origem fecal e também sobre a provável presença de patógenos. Por outro lado, esses microorganismos indicadores também são utilizados para avaliar a eficiência dos tratamentos de água residuais e esgoto na depuração da carga de matéria orgânica, poluentes e patógenos.

Os critérios que são considerados para que um grupo de microrganismos seja utilizado como indicadores são: i) deve ser de rápida e fácil detecção; não deve estar presente como contaminante natural na água ou no alimento, pois assim sua detecção não indicará, necessariamente, a presença da matéria fecal ou de patógenos; ii) deve estar sempre presente quando o patógeno associado estiver; iii) seu número deve correlacionar-se com o do patógeno; iv) deve apresentar necessidades de crescimento e velocidade de crescimento semelhante às do
patógeno; v) deve ter velocidade de morte que seja ao menos semelhante à do patógeno e, se possível, sobrevivência levemente superior à do patógeno.

O indicador ideal de contaminação fecal, portanto, deve preencher outros requisitos além dos anteriormente citados: i) ter como habitat exclusivo o trato intestinal do homem e de outros animais; ii) ocorrer em número elevado nas fezes; iii) apresentar alta resistência ao ambiente extra-enteral; iv) ser detectado através de técnicas rápidas, simples e precisas.

As fezes de uma pessoa sadia contêm um grande número de bactérias comensais de várias espécies que variam na quantidade e tipo de acordo com os hábitos e costumes da população. Estas grandes variações de espécies levaram diversos estudos a estabelecerem como microorganismos indicadores de contaminação bactérias dos gêneros Escherichia, Pseudomonas e Enterococcus, entre outros. As bactérias penetram no corpo humano por ingestão de alimentos ou água contaminados, e por meio das próprias mãos infectadas.

A contaminação do sistema público de abastecimento de água por esgotos geralmente é detectada pela presença de coliformes na água. Este grupo é composto por bactérias da Família Enterobacteriaceae, capazes de fermentar a lactose com produção de ácido e gás, quando incubados a 35-37ºC, por 48 horas. São bastonetes Gram-negativos, não formadores de esporos, aeróbios ou anaeróbios facultativos.

Pertencem a este grupo predominantemente, bactérias dos gêneros Escherichia, Enterobacter, Citrobacter Klebsiella. Destas, apenas a Escherichia coli tem como habitat primário o trato intestinal do homem e animais. Os demais, além de serem encontrado nas fezes, também estão presentes em outros ambientes como vegetais e solo, onde persistem por tempo superior ao de bactérias patogênicas de origem intestinal como Salmonella Shigella. Consequentemente, a presença de coliformes totais na água, nos alimentos e em águas residuais, não indica, necessariamente, contaminação fecal recente ou ocorrência de enteropatógenos.

As bactérias pertencentes a este grupo correspondem aos coliformes totais que apresentam a capacidade de continuar fermentando lactose com produção de gás, quando incubadas à temperatura de 44,5-45,5ºC. Nessas condições, ao redor de 90% das culturas de Escherichia coli são positivas, enquanto entre os demais gêneros, apenas algumas cepas de Enterobacter e Klebsiella mantêm essa característica.

O grupo coliforme possui um subgrupo de bactérias denominadas coliformes termotolerantes, que, são capazes de fermentar a lactose a 44- 45°C (±0,2) em 24 horas. Pertence, a este subgrupo, o gênero Escherichia e, em menor extensão, espécies de Klebsiella, Enterobacter e Citrobacter; tendo como principal representante a E. coli (bactéria de origem exclusivamente fecal). Os coliformes termotolerantes distintos de E. coli, podem originar-se de águas enriquecidas organicamente como, por exemplo, de efluentes industriais ou de materiais vegetais e solo em decomposição.

(…)

Autores: Alberto Jorge da Rocha Silva;  Bruno Dias Batista;  Cristine Gobbato Brandão Cavalcanti;  Ivana Mirtes Feu Silva;  Odailma Nazaré Tavares e  Patrícia Barbosa Machado.

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