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Alumínio e a Doença de Alzheimer

Alumínio e a Doença de Alzheimer

A água é necessária para quase todas as atividades humanas, compõe a paisagem e o meio ambiente e é o recurso mais abundante do planeta (PEREIRA, 2004). A qualidade da água é determinada de acordo com a sua utilidade. Para o consumo humano, em relação ao alumínio (alvo de nosso estudo), é definida a concentração máxima de 0,2 mg/L, pela Portaria n° 2914 do Ministério da Saúde, de 12 de dezembro de 2011.

O alumínio é um dos mais abundantes metais da crosta terrestre, é encontrado na natureza pelo homem, através de exploração da bauxita, que contém 55% de óxido de alumínio. O metal é absorvido pelos seres vivos através de alimentos contaminados ou com conservantes e corantes que possuem o alumínio na composição. Mas é pela água que a maior absorção é feita por organismos (FERREIRA et al., 2008). Através do trato gastrointestinal, é que o alumínio e outros metais são absorvidos pelos seres humanos (FREITAS et al., 2001).

Em 1907 o neuropatologista alemão, Alois Alzheimer, inicialmente descreveu a doença de Alzheimer. Hoje, sabe-se que é uma doença degenerativa progressiva do envelhecimento, com um complexo estudo de causas e que se caracteriza clinicamente pela perda de memória (TRIPPI et al., 2001 apud. LIMA et al., 2012), capacidades intelectuais, presença de depressão ou ansiedade (NASCIMENTO, 2004). Atualmente o número de indivíduos com a doença pode passar de 25 milhões no mundo e constituir, aproximadamente, 70% de todos os casos de demência (ROSA, 2012).

Em 1965, surgiram as primeiras evidências com associações entre as concentrações de alumínio e a doença de Alzheimer. As possibilidades entre essa relação, e de que o metal possa ser uma das causas para doenças neurodegenerativas, não estão descartadas. Mas sabe-se que também não é a única, tendo outros fatores como a idade e a genética (GUTERRES, 2004).

Estudos mostram a discussão associada entre as concentrações de alumínio na água e a incidência em relação à doença de Alzheimer. O metal tem característica neurotóxica, que por uma exposição crônica pode causar encefalopatia grave nos pacientes que passam por diálise renal, podendo levar a distúrbios neurológicos e um possível aumento dos casos da doença de Alzheimer (FREITAS, 2001).

FERREIRA (2008) realizou um levantamento de textos que foram publicados entre 1990 e 2005, a fim de condensar as evidências científicas que relacionassem a exposição do aluminio e o risco para o desenvolvimento da doença de Alzheimer. Em seu estudo a autora constatou que, dos 34 trabalhos selecionados para a pesquisa, 23 estudos (68%) estabeleceram uma relação entre o alumínio e a doença, 8 estudos (23,5%) não apresentaram dados que fossem conclusivos e 3 estudos (8,5%) não estabeleceram nenhuma relação entre o Alzheimer e a exposição ao alumínio.

O alumínio está presente nos processos de tratamento de água através de coagulantes químicos como o sulfato de alumínio, que é o mais empregado nas ETA’s do Brasil, por apresentar baixo custo (ZARA et al., 2011). O cloreto de polialumínio (também conhecido como “PAC”) também apresenta resultados de sucesso na coagulação (ERMEL, 2009) e vem sendo largamente utilizado.

 As concentrações de alumínio são, de fato, de grande importância para questões relacionadas à saúde, bem como as ambientais. CHAVES (2012) cita o alumínio como sendo um dos principais elementos que constituem os resíduos de uma estação de tratamento de água devido ao uso dos coagulantes a base desse metal. Tem-se, então, o controle de dosagem como uma essencial atividade no tratamento de água, podendo diminuir os riscos para a população.

Referências

BRASIL. Portaria n. 2.914, de 12 de dezembro de 2011. Ministério da Saúde. 14 dez. 2011. Desponível em: <http://www.in.gov.br/visualiza/index.jsp?data=14/12/2011&jornal=1&pagina=39&totalArquivos=192>. Acesso em: 29 out. 2012.

CHAVES, K. O. Desenvolvimento e aplicação de sistema de floco-flotação por ar dissolvido para tratamento da água de lavagem do filtro da ETA Gavião, 2012. 125 f. Dissertação (Mestrado) – Universidade Federal do Ceará, Fortaleza, 2012.

ERMEL, A. V. B. Análise da lise de células Microcystis aeruginosa e de Cylindrospermopsis raciborskii eda libertação e degradação de cianotoxinas em função do tempo de armazenamento do lodo em decantadores. 2009.  118 f. Dissertação (Mestrado) – Universidade de Brasília, Brasília. 2009.

FERREIRA, P. C.; PIAI, K. A.; TAKAYABAGUI, A. M. M.; SEGURA-MUÑOS, S. I. Alumínio como fator de risco para a doença de Alzheimer. Revista Latino-Americana de Enfermagem, Ribeirão Preto,  2008. Disponível em:  <http://www.scielo.br/pdf/rlae/v16n1/pt_22.pdf>  Acesso em: 19 out. 2012.

FREITAS, M. B.; BRILHANTE, O. M.; ALMEIDA, L. M. Importância da análise de água para a saúde pública do Estado do Rio de Janeiro: enfoque para coliformes fecais, nitrato e alumínio. Caderno de Saúde Pública, Rio de Janeiro, v.17, n.3, p. 651-660, 2001. Disponívem em: <http://www.scielosp.org/pdf/csp/v17n3/4647.pdf> Acesso em: 17 out. 2012.

GUTERRES, S. S.; NASCIMENTO, L. P.; RAFFIN, R. P. Aspectos atuais sobre a segurança no uso de produtos antiperspirantes contendo derivados de alumínio. Infarma, n. 7-8, v. 16, p. 66-72, 2004 Disponível em: <http://www.cff.org.br/sistemas/geral/revista/pdf/79/20-aspectos.pdf>  Acesso em: 17 out. 2012.

LIMA, F. B.; OLIVEIRA. J. A. S.; SANTO, L. D. E.; MOREIRA, L. M. A. Estudo sobre a ocorrência de micronúcleos e alterações nucleares em indivíduos com Doença de Alzheimer. Revista de Ciências Médicas e Biológicas, Salvador, n.1, p. 23-26, 2012. PEREIRA, R. S.  Identificação e Caracterização das Fontes de Poluição em Sistemas Hídricos. Revista Eletrônica de Recursos Hídricos, v.1 n.01, p.20-36, 2004.

ROSA, S. G. V.; CARESTIANO, T.; MOTHÉ. Estudo do comportamento térmico dos medicamentos donepezila, rivastigmina e menantina. Campos de Jordão. VIII Congresso Brasileiro e III Congresso Pan-Americano de Análise Térmica e Calorimetria, 1-4 abri. de 2012. Disponível em: < http://www.abratec-terminais.org.br/>  Acesso em: 17 out. 2012.

ZARA, R. F.; Thomazini, M H; LENZ, G.. Estudo da eficiência de Polímero Mandacaru (Cereus Jamacaru) como auxiliar de coagulação de floculação no tratamento de água. In: I Simpósio Sobre Sistemas Sustentáveis, 2011, Toledo. Anais I Simpósio Sobre Sistemas Sustentáveis, 2011.

André Luiz Tuon
Portal Tratamento de Água

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