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Água potável: escassez e gestão do consumo em condomínios residenciais metropolitanos

Resumo

Água potável – A água potável, ou água doce, é recurso não renovável indispensável para a existência de vida no planeta. Com o advento da industrialização somado à crescente concentração populacional nos grandes centros urbanos e consequentemente, surgimento de áreas habitacionais irregulares, onde a infraestrutura de saneamento básico é precária ou inexistente, o índice de contaminação das águas é alarmante. Em janeiro de 2020, a região metropolitana do Rio de Janeiro (exceto Niterói, São Gonçalo e Itaboraí, que são atendidos pelo sistema Imunama-Laranjal) teve seu fornecimento de água potável comprometido pela crise da Geosmina; apenas um ano após, em janeiro de 2021, outra crise, em menor escala, atingiu os consumidores dependentes do sistema produtor do Guandu. Não apenas o Governo, mas também a sociedade precisa estar envolvida na solução para a questão do desabastecimento de água. O usuário final precisa desenvolver uma consciência ambiental, e entender que se cada um fizer a sua parte, o cenário atual poderá ser modificado.

Introdução

A água é um recurso natural indispensável para a vida humana, e é praticamente impossível imaginar o surgimento dos grandes centros urbanos sem a disponibilidade de água doce tratada. A Terra é comumente denominada “Planeta Água”, pois a maior parte dela é coberta pelas águas. Entretanto, aproximadamente 97% das águas do planeta são salgadas; dos 3% restantes – água doce – pouco mais de 2,4% encontram-se em geleiras ou regiões de difícil acesso.

No fim das contas, temos pouco mais de 0,5% de águas doces acessíveis em rios, lagos e atmosfera. De acordo com o relatório Reimagining Wash – Water Security for All (UNICEF, 2021), atualmente mais de 1,4 bilhão de pessoas vivem em áreas de alta ou extremamente alta vulnerabilidade de água. A preocupação com o uso racional e consciente da água era inexistente até algumas décadas. A falta de gestão dos recursos hídricos, associada ao constante crescimento de demanda, principalmente em consequência do crescimento populacional, desencadeia uma série de fatores decorrentes.

O aumento do consumo de energia elétrica, crescimento de centros urbanos e da indústria, são fatores que aumentam a crescente preocupação em relação à escassez de água em um futuro próximo. Além disso, mudanças climáticas globais vêm agravando a escassez de água, através das mudanças de padrões de chuvas, causando secas, inundações e eventos climáticos extremos, como inundações, que podem danificar infraestrutura de saneamento e contaminar o abastecimento de água potável.

Desde os primórdios das civilizações, o homem sempre procurou se estabelecer próximo aos locais onde havia disponibilidade de água. A água é um bem crucial para a existência humana, e todo o desenvolvimento e crescimento de civilizações e centros urbanos sempre se basearam na disponibilidade deste recurso; em contrapartida, por ser um recurso natural, por séculos seu uso foi negligenciado. Através dos tempos, civilizações utilizam, desperdiçam e poluem indiscriminadamente este bem precioso, sem nenhum tipo de consciência ambiental ou preocupação com o futuro. De acordo com (NEVES e NOGUEIRA, 2014), a postura do ser humano em relação à água é que ela existe em abundância. Este entendimento é correto, mas deve-se considerar que apenas uma pequena parcela da água existente no mundo é passível de consumo.

Atualmente, a escassez de água atinge grande parte da população mundial, e a falta de água própria para consumo é uma possibilidade real para as próximas décadas. Conforme (GUEDES e JÚNIOR, 2015), a poluição dos mananciais, somados ao desperdício da água potável, indicam a necessidade urgente de alternativas que visem à solução desses problemas.

Em uma reunião ocorrida na sede da ONU, em setembro de 2000, os líderes mundiais adotaram a Declaração do Milênio da ONU, onde as nações se comprometeram a atingir 08 objetivos, voltados à redução da pobreza extrema, com “deadline” em 2015. Estes ficaram conhecidos como os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio – ODM (ANA, 2019). Entre estes, o ODM 7 – Qualidade de Vida e Respeito ao Meio Ambiente, em seu objetivo 7C – Reduzir pela Metade, até 2015, a proporção de pessoas sem acesso sustentável à água potável e saneamento básico, já tornava evidente a preocupação com as desigualdades na disponibilidade e acesso à água e saneamento básico.

Os estudos avançaram até 2012, quando na conferência Rio+20, ocorrida no Brasil, foram estabelecidas as condições para a construção coletiva de um conjunto atualizado e mais abrangente com novos objetivos e metas, uma remodelagem da bem sucedida experiencia dos ODM. Surgiu então a proposta da Agenda 2030, concluída em 2015.

Baseada em ações, programas e diretrizes, o objetivo é orientar os estados participantes ao desenvolvimento sustentável, independentes de desenvolvidos ou em desenvolvimento; todos tem desafios a superar nas esferas social, econômica e ambiental, inclusive o Brasil.

Autores: Octávio Glauco Soares Baptista e Lucio Fabio Cassiano Nascimento.

Água potável


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