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A preservação da água e seus impactos para as empresas

Por Ruth Hiromi Harada

A preservação da água e seus impactos para as empresas

Embora muitas companhias direcionem esforços para iniciativas “verdes” relacionadas a emissões de gases e conservação de energia, ainda são poucas as que se preocupam com a conservação da água no planeta. Em 2050, quando se espera que a população mundial atinja a marca de 9,4 bilhões de pessoas, a água terá se tornado uma das “commodities” mais raras e valiosas do mundo. Atualmente, 884 milhões de pessoas no mundo não possuem acesso a fontes seguras de água potável. Destas, mais de três milhões morrerão até o final desse ano em decorrência de doenças relacionadas à água.

Recentemente a IBM realizou uma pesquisa com mais de 100 executivos dos setores público e privado. A pesquisa apontou que, apesar do custo com o tratamento e o fornecimento de água tender a crescerem na próxima década, muitas empresas ainda não se adaptaram para encarar esse desafio. 77% dos entrevistados reconheceram que o gerenciamento da água é fundamental para os negócios, porém 51% afirmaram não ter nenhuma orientação formal da companhia para conduzir esse tema e 63% relataram não possuir acesso aos sistemas integrados de gerenciamento de água.

As empresas são consumidoras intensivas de água. Os produtores de bebidas, por exemplo, utilizam aproximadamente 300 bilhões de litros por ano. São necessários 10 litros de água para a produção de uma folha de papel e 10.855 litros para um único par de calças jeans. Quando consideramos tanto o consumo atual como as previsões futuras de limitação de água, fica claro que as empresas precisam começar a tomar medidas para promover a conservação deste recurso. Alguns pontos que, na minha opinião, precisam ser considerados:

Faça com que a preservação da água seja uma prioridade

Estude possibilidades de aprimorar os processos de manufatura, visando reduzir o consumo de água, e estimule seus funcionários a também cortar o consumo pessoal na empresa. Veja o exemplo da Starbucks, que entrou para a lista “Green 11” (as 11 empresas que mais conservam os recursos naturais nos EUA), publicada pela revista digital Portfolio, em 2008. Apesar de utilizar grande quantidade de água na produção de bebidas –140 litros para uma xícara de café – a empresa utiliza tecnologia que ajudam na economia de água. Lava-louças eficientes, água com alta pressão e funcionários treinados para operar o equipamento também levam à redução do consumo.

Envolva a comunidade

Envolva a empresa em programas de tratamento da companhia local de água ou de ONGs voltadas para a preservação do meio-ambiente. Também considere patrocinar eventos locais para ajudar a educar a comunidade sobre seu compromisso com a água e sobre como esse recurso é especialmente importante em sua região. Outra forma de colaborar é desenvolver pesquisas sobre o uso e a conservação da água, que possam ser usadas tanto pela sua empresa como pelos concorrentes.

Em abril de 2007, a IBM e a The Nature Conservancy (TNC) anunciaram uma colaboração tecnológica para usar a tecnologia e a ciência em favor da proteção dos rios. A parceria visa criar um sistema de suporte de decisão, a ser usado para examinar cenários de planejamento futuro e guiar políticas sustentáveis de uso de água para grandes rios do mundo inteiro. O projeto piloto esta sendo realizado no Brasil com os rios Piracicaba, Jundiaí e Capivari, e depois será replicado em outros rios do mundo.

Entre em contato com outras empresas – até mesmo concorrentes

Pense em formar uma parceria similar ao “Beverage Industry Environmental Roundtable”. Criada em 2006, essa organização reuniu doze empresas – incluindo a Coca-Cola, Diageo, Nestlé, Anheuser Busch InBev e PepsiCo – para trocar informações sobre redução do consumo, reutilização, preparação e providências para eventual falta de água. A organização também coleta e compartilha práticas relacionadas à preservação de água e proteção de recursos.

Continue a lançar tendências

A Levi Strauss & Co. fechou, recentemente, uma parceria com a Goodwill para criar etiquetas de roupa que encorajam os consumidores a lavarem suas roupas com água fria e pendurá-las para secar, e doar as velhas à Goodwill. Embora modesta, essa iniciativa demonstra como cada organização pode encontrar seu caminho para reduzir o impacto ambiental de suas atividades.

* Ruth Harada é Executiva de Cidadania Corporativa da IBM Brasil

Fonte:http://www.ideiasocioambiental.com.br