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A hidrometeorologia no Nordeste e sua cultura de escassez decorrente dos ciclos das secas

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É verdade, que Historicamente falando se sabe, principalmente, no Semi-árido do Nordeste do Brasil, conhecido como o “Polígono das secas”… É devido a “Serie “Histórica” de “Secas”…Neste Região…

Pois, já se souber há muito tempo, desde de logo após ao descobrimento do Brasil, que remonta a 1559, o primeiro registro de seca no Nordeste, segundo narra o livro História de companhia de Jesus do Brasil, do Padre Serafim Leite, citado por Guerra (1951). Sabe-se que no calendário de secas no Nordeste, de um modo geral, ocorreram 9(nove) secas por séculos, uma a cada 11(onze) anos Apesar de afetarem índios e os primeiros colonizadores, as secas dos séculos XVI e XVII não tiveram grandes impactos socioambientais, devido ao número reduzido de habitantes e à abundância de recursos naturais que minimizaram os efeitos das secas (Brito Guerra, 1981).

A partir do século XVIII começaram ocorrerem secas de maiores gravidades, como a de 1777 a 1788, quando restou apenas 1/8(um oitavo) do gado da capitania do Ceará(Brito Guerra, 1981). Dentre as secas que causaram maiores prejuízos, destacam-se as secas de 1877 a 1879, que ocasionaram à perda de mais de 500.000(quinhentas mil) vidas humanas(Brito Guerra, 1981)…

Isto ocorreu também, devido à falta de preparo dos então governantes para enfrentarem este problema de estiagens nestes citados anos. De fato também ainda não existia a “Política de Açudagem”, para coletar precipitações pluviométricas isoladas que aconteceram na região, muito sofrimento seria evitado… Só depois dessa conhecida “Grande Seca”, que motivou o Império a tomar as primeiras medidas para se combater os efeitos de estiagens no Nordeste. Aonde o Imperador Dom Pedro II veio ao Nordeste e prometeu vender “Até a ultima Jóia da Coroa” para amenizar o sofrimento dos súditos desta região…

Decorrente disto, no final do século XIX, entre 1886 a 1889, fez com que o imperador Dom Pedro II criasse a Comissão da Seca, formada por uma equipe internacional e multidisciplinar. Baseada em experiências e modelos estrangeiros, a comissão apresentou uma proposta de construção de açudes e reservatórios públicos que, além de ter mais resistência – passando água de um ano para outro -, tinha um caráter mais abrangente – ampliando o atendimento a pequenas localidades…

Este foi o primeiro passo para Política de construções de açudagem aqui no Nordeste, que começou com o açude Cedro, em Quixadá, – iniciado em 1888 e concluído em 1906. Após a conclusão dessa obra, em 1909 é criado Instituto de Obras Contras as Secas (IOCS). No século XX, de 1915 até o inicio da década de 70 no Governo Militar de Emilio Garrastazu Medice. Anos do “Milagre Econômico”, do então Ministro da Fazenda Delfim Neto…

Aonde veio começar o desenvolvimento Industrial no Brasil, que por via de conseqüência, aumentar substancialmente o êxodo rural, onde se principiou numa progressão geométrica a devastação de matas e florestas, para expansão das médias e grandes cidades… Afora o aumento progressivo das emissões dos gases poluentes jogados na natureza Que segundo, o INMET(Instituto Nacional de Meteorologia), os anos de 1915, 1919, 1930, 1953, 1954, 1958, 1962, 1966, e 1970… Foram anos de extremas irregularidades espacial e temporal das chuvas, para não dizerem secos…

Nestas décadas e seus respectivos anos, só não aconteceu o pior, por que o então Presidente Hermes Rodrigues da Fonseca na seca de 1915 reestruturou o Instituto de obras contra as secas (IOCS), que passou a construir açudes de grandes portes. Até então, o IOCS, só se construíam poços, confecção de mapas e abertura de estradas…

Que logo depois no ano de 1919, no governo Nilo Peçanha, o IOCS, foi transformado em DNOCS que recebeu ainda em 1919 (Decreto 13.687), o nome de Inspetoria Federal de Obras Contra as Secas – IFOCS antes de assumir sua denominação atual, que lhe foi conferida em 1945 (Decreto-Lei 8.846, de 28/12/1945), vindo a ser transformado em autarquia federal, através da Lei n° 4229, de 01/06/1963…

Aonde neste interino foram construídas centenas de açudes nos Estados do Ceará, Paraíba, Rio Grande do Norte. Agora, entretanto, depois desta abordagem, aonde se mostrou o ciclo de estiagem no semi-árido do nordeste do Brasil, desde logo após do nosso descobrimento, até o inicio da década de 70, anos do nosso milagre econômico. Que até então, ainda, não se tinha degradação ambiental, através de devastação de matas e florestas, e as grandes emissões de gases poluentes… E, sobretudo, o processo latente de desertificação de todos os nossos ecossistemas.

Sabe-se, que o processo de ciclo de estiagens de uma região, estar intrinsecamente, vinculado à dinâmica do seu evolutivo processo de desertificação, principalmente, ocasionado e acelerado pelas ações do homem… Que dentro da civilização humana, temos um exemplo, mais que palpável que é sobre as civilizações Egípcias, que acelerou a formação do “Deserto do Saara”…

Que justiça seja feita também, que esta dita cuja, formação do Deserto do Saara, recebeu influencia direta de sua composição mineralógica dos seus solos, que se compõem com um alto teor cloreto de sódio, e predominância de rochas areniticas… E, sobretudo, outrora, há milhões de anos atrás, esta mencionada área(deserto do Saara) era coberto pelo Mar Vermelho e Mediterrâneo… Pelo visto, salenizando ainda mais, os seus solos…

Tornando uma área imprópria para germinação de matas e florestas… Enquanto que o permanente ciclo de estiagens, ora abordado aqui, se teve a intenção de mostrar que nos séculos XVI, XVII, XVII, XIX e XX até os anos 70… Que, Ainda não se tinha o processo devastador do desmatamento das matas e florestas, principalmente das matas ciliares, e nem tampouco o aquecimento global, através das mudanças climáticas.

Entretanto, ocorreram secas, que deixaram seqüelas irreversíveis para o bem estar socioambiental de toda comunidade nordestina. Por sorte, não tivemos ainda um processo acentuado de desertificação, similar ao Deserto do Saara, por que a composição mineralógica dos solos na grande maioria do Nordeste( exceto em algumas regiões, como por exemplos, região de Mossoró(RN), banhada pela a bacia hidrográfica do Rio Apodi. E a região da chapada do Araripe no Ceará. Afora Cariri e Curimataú Paraibano), serem constituídos por “Solos argilosos”, que tem baixo teor de salinidade…

E a nossa civilização ser bem mais nova do que a civilização egípcia, enquanto que a civilização egípcia, ter mais de três mil anos…Nos, nordestinos, como sociedade, temos menos de 500(quinhentos anos)…

Dando prosseguimentos nos anos de secas, no nordeste… Durante a década de 80, rigorosamente só teve um interstício de uma seca. Que foram os anos de 1982 e 1983… Nos anos de 1984, 1985 e 1986 foram formidáveis anos de chuvas, aonde sangraram a grande maioria dos açudes construídos pelo DNOCS… Como por exemplo, o complexo Estevão Marinho – Mãe D’ Água,

Conhecido popularmente, pelo açude de Coremas(PB), que sangrou com a sua maior lamina D’água da sua História, que chegou atingir a 2.80cm(dois metros e oitenta) centímetros…

Já nos anos da década de 90… Os anos de 1993, 1996, 1997, 1998 e 1999, foram anos sofríveis… Que continuaram até o inicio da década de 2000, ou seja até o ano de 2001…

Entre 2002 e 2003, já teve certa melhora, que a partir de Janeiro de 2004 até a presente data Maio de 2009, melhorou substancialmente, em média nos seus índices de chuvas, aqui no Nordeste do Brasil, principalmente, na sua microrregião sertaneja do nordeste Setentrional…

Agora diante de tudo isto, merece uma reflexão… É sabido por todos, que esta região semi-árida do nordeste do Brasil, sempre foi de permanentes ciclos de estiagens, que culturalmente falando, a grande maioria dos nordestinos, já os são conformados, apesar de existirem alguns visionários, aonde vislumbram dias melhores… Agora que não dar para se conceber, como visto, que nós nordestinos, aonde vivemos eternamente, ou melhor, secularmente, contido dentro dessa adversidade climática de permanentes ciclos de estiagens, e ainda não se aprendeu a conviver com este permanente ciclo de adversidade meteorológica, aonde o clima é um eterno “vilão” e o homem, um eterno “sofredor”. Segundo o entendimento, de Pompeo Maroja, o problema do nordeste, não meteorológico, e sim, hidrológico… “Os problemas meteorológicos são imutáveis. Ninguém evita. Mesmo nos países ricos do Primeiro Mundo, como nos Estados Unidos da América.

As grandes catástrofes, terremotos, ventos a mais de 200 km/h, erupção de vulcões. Grandes enchentes, inundações etc. Secas e estiagens têm soluções aqui na terra. Nas faltas de chuvas em nossa região, não devemos nos preocupar com El Nino, com o aquecimento das águas do Pacífico. Com frentes frias e coisas assim. A observação desses fenômenos é válida para o Sul do Brasil. A fim de que se possam prever as grandes inundações.

Os alagamentos do Rio e São Paulo. O afogamento de rebanhos nos pantanais de Mato Grosso e geado nas áreas mais ao Sul do País. Entretanto, no Nordeste, nada disto prevalece. Portanto, temos que nos conscientizarmos, pois, como certo que os fenômenos meteorológicos são imutáveis”… Concordo em grau, número e gênero com esta premissa de Pompeo Maroja. Pois, como é sabido por todos, que a média de chuvas no semi-árido do nordeste do Brasil, é em torno de 800 mm(oitocentos) milímetros. Que se deve ressaltar em “Solos”, considerados ótimos… Enquanto que na Califórnia, oeste dos Estados Unidos da América(EUA), região de terras ruins e de precipitação pluviométrica que não atingia nem 600mm ao ano…

Entretanto, é uma região tão rica em produção agrícola. Tendo, menos chuvas, portanto, que o nordeste brasileiro em ano considerado normal. Por que os Norte-americanos fazem adução das águas rio Colorado, para esta mencionada região de produção agrícola.

Agora, entretanto, o que vem agravando de fato a problemática hidrológica nesta região do semi-árido do nordeste do Brasil, segundo meu entendimento, é mais devido, as praticas agricultáveis de manejos inadequados pelas atividades agrícolas ainda rudimentares, com praticas de queimadas, e, sobretudo, na preparação de áreas para o plantio, não obedecendo às técnicas agronômicas e de engenharias agrícolas, e até mesmo, ecológicas, por aonde venham amenizarem os processos erosivos, que vem inexoravelmente, sem exceção, assorear todos os seus corpos hídricos, desde um pequeno córrego até um grande rio…

Levando aos recursos hídricos desta região, um processo letal de “Estresse Hídrico”, sempre que ocorrem, os repetitivos ciclos de estiagens, que é comum, neste semi-árido do Nordeste do Brasil…

Agora, entretanto, o “Mal Maior”, de prejuízo socioeconômico para o Nordeste, sempre foi sobre esta “Prenunciada”, “Falta D’água”… Desses referidos ciclos de estiagens…

Que, obviamente, levou a “Consciência Coletiva”, dos “Investidores Brasileiros”…E até mesmo “Estrangeiros”… De não investirem aqui no Nordeste… Por conta, desta “Consciência Coletiva de “Falta D’água”…

Um exemplo “Típico”, de tudo isto, é sobre Campina Grande-PB…Que inúmeras “Industrias”…Deixaram de se “Instalarem”…Em Campina Grande… Devido a esta prenunciada “Falta D’água”…

Que era uma consciência errônea, ou melhor, equivocada…

Digo isto, porque, uma grande parte da Grande São Paulo, ou seja, em torno de 9(nove) milhões de habitantes…Através de todos ou usos múltiplos da água(abastecimento humano, animal, industrial, entre outros…É abastecido pelo o “Sistema Cantareira”…Que detém somente, a capacidade máxima de acumulação de 530 milhões de metros cúbicos de água…Pelo visto, um pouco maior do que o açude Epitácio Pessoa, conhecido popularmente, pelo açude de Boqueirão de cabaceiras, que possui uma capacidade máxima de 411 milhões de metros cúbicos de água, um pouco menor do que o Sistema Cantareira…Que abastece Campina Grande e comportamento da Borborema…Com somente, em torno de 650 mil habitantes…

Que João Pessoa, Capital do Estado da Paraíba e sua área metropolitana (Bayeux, Santa Rita e Cabedelo…Até a o final da década de 1980…Mais precisamente no ano de 1988…Que até então, tinha uma população de 400 mil habitantes… Quando foi inaugurado o Sistema Gramame-Mamuaba, com capacidade máxima de 56 milhões de metros cúbicos de água…Era abastecida por Marés, com capacidade de somente 3,5 milhões…Mais alguns poços artesianos…E o poço amazonas da mata do Buraquinho…

E até hoje (Junho de 2009)…O Sistema Gramame-Mamuaba, vem abastecendo a grande João Pessoa…Com muito “Galantismo”…Só tendo um ano de crise, que foi justamente, o ano de 1999…O ano do da ocorrência do El Niño…El Niño este um dos mais severo do ultimo século…

Todavia, este “Cenário” de “Stress Hídrico”…Aqui no Nordeste, principalmente no Nordeste Setentrional…Pelo visto, Ultimamente, dentro deste atual década(2000 a 2010)…Pois, já estamos no final da “Quadra Chuvosa”( Junho de 2009), do Semi-árido Nordeste…E que todos nós Nordestinos estamos vendo…E o Nordeste com chuvas abundantes…Para não dizer com muita “Enchentes”…Agora não se sabe… Que estas atuais “Chuvas”… Vem ocorrendo, ultimamente, acima da “Média Histórica”, que é de 800mm nos “Sertões Nordestinos”… Vão perdurem nas futuras décadas… Agora, entretanto, deve-se dar um basta…Nesta cultural secular de falta d’água aqui no Nordeste…

Até porque temos relativamente, muita Água…Pelo menos nesta ultima década que estamos atravessando…Pois, os “Invernos” de Janeiro/2004,Março/2008, Abril e Maio de deste ano de 2009…Foram exemplares, ou seja de muita chuvas…Aonde, nos tira desse famigerado Stress Hídrico…

Se este “Cenário” de Chuvas que vem ocorrendo ultimamente aqui no nordeste…perdurar por mais tempo… Ou seja, mais anos…Certamente, nós nordestinos, iremos abolir de vez o “Fantasma”, da escassez D’água…

Donde se conclui que…

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“FALTA É GESTÃO…

“Devemos fazer uso “Múltiplo”, ou seja, “Gestão”…Da nossa água renovável…Pelos períodos chuvosos…Mesmo,quando escasso, mais chove…No uso sustentável…Para Desenvolvimento do nosso Semi-árido tão sofrido…Afixando o “Homem” do “Campo”…No “Campo”…E mostrar os investidores nacionais e estrangeiros…Que o Nordeste é “Viável”…

E finalmente, possuímos o “Rio da Integração Nacional… Que é o “Rio São Francisco”… Que, Através do Projeto São Francisco…Certamente, se interligará com as “Bacias Hidrográficas Intermitentes do Nordeste Setentrional(Paraíba, Ceará e Rio Grande do Norte)…Aonde , se garantirá “Água para Todos”…

PEDRO SEVERINO DE SOUSA.
JOÃO PESSOA(PB), 01.06.2009
PEDRO SEVERINO DE SOUSA