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Monitoramento de parâmetros físico-químicos do efluente de uma indústria de cosméticos e propostas de tratamento

Resumo

Buscando reduzir os danos ambientais causados pelos efluentes líquidos industriais, existem legislações que obrigam as indústrias a atuarem de acordo com as condições e parâmetros estabelecidos. A fim de avaliar a qualidade do efluente de uma indústria de cosméticos e verificar se os padrões estabelecidos em legislação estão sendo alcançados, foram desenvolvidos estudos de monitoramento dos parâmetros do efluente. Com base nos dados dos mesmos, técnicas de tratamento foram propostas como alternativas para esse segmento industrial, buscando aperfeiçoar o processo de tratamento já existente, enquadrar todos os parâmetros dentro das legislações vigentes e reduzir custos. A indústria em estudo está situada em Porto Alegre, possui uma estação de tratamento de efluentes com tratamento primário do tipo coagulação-floculação, e ainda encaminha o efluente tratado para empresas de tratamento terceirizadas. Com análises preliminares de monitoramento, verificou-se que o parâmetro demanda química de oxigênio (DQO) excedia os limites da legislação, alcançando valores até 10 vezes acima do permitido. Com base neste fato foi possível sugerir a implantação da ozonização como um tratamento terciário. A técnica foi testada em um sistema de bancada com o qual se obteve uma redução de até 50 % da demanda química de oxigênio e 10 % do carbono orgânico total (COT). Entretanto, apesar dessas reduções a DQO do efluente final continuou apresentando valores acima do limite máximo permitido. Sugeriu-se então a utilização da ozonização como tratamento complementar às etapas de tratamento primário e secundário, ou ainda a utilização de outros processos oxidativos avançados, como fenton e foto-fenton. Essas técnicas são apontadas como eficientes para a remoção de contaminantes em efluentes com elevados valores de DQO.

Introdução

O crescimento de mercado obtido pela indústria de higiene pessoal, perfumaria e cosméticos no Brasil é notório, mesmo com uma economia em retração. O segmento vem obtendo crescimento anual acima da média que, segundo o painel de dados de mercado, tem como responsável uma cultura cada vez mais voltada ao cuidado com a saúde e o bem estar (ABIHPEC, 2015). Apesar do grande volume de produtos cosméticos produzidos e comercializados, essas indústrias ainda não possuem uma resolução própria que estabeleça as normas para descarte deste tipo de resíduo industrial e também não existe uma metodologia que descreva qualquer tratamento específico para este tipo de efluente gerado (BOROSKI et al., 2009).

Algumas das substâncias presentes nos efluentes da indústria de cosméticos apresentam propriedades tóxicas, irritantes e/ou corrosivas, podendo afetar o ecossistema aquático, causando proliferação de algas com possíveis processos de eutrofização. Mesmo após tratamento convencional (por processos físico-químicos e biológicos), estes efluentes são caracterizados por apresentar elevada Demanda Química de Oxigênio (DQO), sólidos suspensos, cor, detergentes e toxicidade (PERDIGÓN-MELÓN et al., 2010).

Vários tipos de processos avançados para os mais diversos tipos de efluentes têm sido investigados, mas segundo Melo (2012), poucos estudos tratam sua eficiência em indústrias de cosméticos. Assim, o presente trabalho tem por objetivo monitorar alguns parâmetros do efluente tratado de uma indústria de cosméticos de Porto Alegre, e verificar quais parâmetros não atendem aos limites estabelecidos na legislação e devem ser alterados para lançamento em corpos hídricos futuramente. Atualmente, na indústria em estudo, o efluente após tratamento primário do tipo coagulação-floculação, é enviado para empresas terceirizadas de tratamento de efluentes industriais, causando um elevado custo anual. Também serão apresentadas propostas de melhorias do processo de tratamento de efluentes adotado na empresa, visando adequar os parâmetros aos limites de emissão que constam nas legislações. Vale ressaltar que atender os limites das legislações, além de ser obrigação legal das empresas, também minimiza os custos das mesmas com tratamentos externos, além de contribuir imensamente com a preservação ambiental.
Autora: Bárbara Ritter da Silva.

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