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OD, DBO e DQO como parâmetros de poluição no ribeirão Lavapés/Botucatu/SP

Resumo

Oxigênio dissolvido (OD), demanda bioquímica do oxigênio (DBO) e demanda química do oxigênio (DQO) foram utilizados como parâmetros para se avaliar o grau e capacidade de autodepuração do ribeirão Lavapés, que atravessa a cidade de Botucatu – SP. Avaliou-se o perfil de poluição orgânica e identificadas as zonas de autodepuração, e pontualmente foi realizado uma coleta de 24 horas, de hora em hora, onde foi possível correlacionar a poluição orgânica com as atividades domésticas. A DQO mostrou-se como a melhor técnica para avaliar o perfil de poluição orgânica, identificar as zonas de depuração, e para avaliar a poluição orgânica, neste curso d’água. A relação DQO/DBO foi em média 3,4 caracterizando um esgoto biodegradável, indicando que praticamente não existe adição de efluentes industriais, permitindo assim estimar a DBO através da DQO. Nos trechos de água limpa, nascente e foz, em que a DQO estava abaixo de 5 mg L-1 O2, foram utilizados os valores de oxigênio consumido (método do permanganato), o que não invalidou a identificação das zonas de depuração. No entanto pesquisas para desenvolver o método de DQO (dicromato) para baixas concentrações, abaixo de 5 mg L-1 são necessárias para uma melhor avaliação da recuperação do curso d’água.

Introdução

Botucatu é uma cidade que está localizada em uma área de proteção ambiental e possui cerca de 100 mil habitantes. Foi fundada há 148 anos e, como muitas cidades antigas, desenvolveu-se ao redor de um curso d’água, o ribeirão Lavapés, que atualmente é um curso de esgoto a céu aberto. O ribeirão Lavapés nasce próximo da cidade, atravessa-a e, após cerca de 21 km, despeja suas águas na represa de Barra Bonita. Os esgotos sanitários são descarregados sem tratamento diretamente no ribeirão Lavapés, ou em seus vários córregos tributários, que cruzam a cidade.

Segundo cálculo realizado pela Sabesp de Botucatu em 1994, a descarga de águas servidas no ribeirão Lavapés é de aproximadamente 600 L s-1, o que eqüivale a 51.840 m3 dia-1. Ao volume de água natural do ribeirão Lavapés são acrescidos, cerca de 30.000 m3 dia-1 bombeados do rio Pardo para abastecer a cidade de Botucatu.

Praticamente não ocorre assoreamento no ribeirão Lavapés, no percurso da cidade até a foz na represa de Barra Bonita, em função de sua topografia. Há uma diferença de altitude de cerca de 500 m, da nascente até a foz (ao longo de seus 28 km). Esta alta declividade faz com que o mesmo tenha altas velocidades de escoamento e várias cachoeiras.

Autores: José Pedro Serra Valente; Pedro Magalhães Padilha e Assunta Maria Marques Silva.