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Estabilidade de Saxitoxinas GTX 2/3, dc-GTX 2/3 e C1/2 em água de abastecimento e impactos na validação de método analítico

Resumo: Vários relatos indicam que cianobactérias produtoras de Saxitoxinas estão cada vez mais presentes em lagos no Brasil e no mundo. Apesar disso, a maioria dos métodos analíticos apresentados na literatura são focados na análise de Saxitoxinas em moluscos marinhos, ficando os métodos para água potável subavaliados. Este trabalho teve como objetivo validar uma metodologia analítica para quantificação de Saxitoxinas GTX2/3, dc-GTX2/3 e C1/2 utilizando cromatografia líquida de alta eficiência e verificar os impactos da estabilidade destas toxinas neste processo. As toxinas C1/2 sofreram degradação rápida, o que impossibilitou a conclusão de sua validação. Para as outras toxinas, o método provou ser seletivo, eficiente, exato, preciso e robusto, exceto para baixas concentrações. Apesar da significativa redução do limite de quantificação comparativamente à literatura recente, os mesmos ficaram acima do valor máximo permitido para Saxitoxinas pela portaria MS 2914/2011, sugerindo que a agregação de uma etapa de pré-concentração é fundamental. Os resultados sugerem também que, devido à instabilidade destas toxinas, sua detecção em águas naturais ou tratadas podem ser comprometidas se os procedimentos de coleta e preservação não seguirem técnicas apropriadas.

Introdução: As cianotoxinas são metabólitos secundários produzidos por cianobactérias, como Cylindrospermopsis raciborskii, Anabaena circinalis e Planktothrix sp., por exemplo, e dinoflagelados dos gêneros Alexandrium, Gymnodinium e Pyrodinium em ambientes de água doce e marinhos (HARA et al., 2013). As cianotoxinas apresentam estruturas químicas (Quadro 1) e propriedades toxicológicas diversificadas (SIVONEN; JONES, 1999; HUMPAGE et al., 2010) e são classificadas de acordo com o modo de ação nos organismos: neurotoxinas (anatoxina-a, anatoxina-a(s) e Saxitoxinas – STX, também conhecidas como Paralytic Shellfish Poisoning – PSP), hepatotoxinas (microcistinas, nodularina, cilindrospermopsina) e endo ou dermatotoxinas (lipopolissacarídeos, lingbiatoxinas e aplisiatoxinas) (MONDARDO, 2009). As Saxitoxinas são classificadas basicamente em três grupos: carbamato, N-sulfocarbamoil e decarbamoil. As toxinas do grupo carbamato são as mais potentes e dentre elas estão: Saxitoxina (STX), Neo-saxitoxinas (NEO) e Goniautoxinas (GTX1-4). Goniautoxinas são as toxinas mais abundantes nas amostras de extratos de moluscos, estando presentes em 75% a 85% das amostras analisadas (ANDRINOLO et al., 2002; ZHANG et al., 2013).

Autores: Marianna Correia Aragão; Ana Zélia Abreu e José Capelo Neto.

Leia o estudo completo: estabilidade-de-saxitoxinas-gtx-2-3-dc-gtx-2-3-e-c1-2-em-agua-de-abastecimento-e-impactos-na-validacao-de-metodo-analitico