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Biodiesel surge como alternativa de combustíve

Biodiesel surge como alternativa de combustível,

fabricado a partir de óleos vegetais

Na luta pela divulgação do chamado “combustível verde”, ONG’s de todo o mundo unem-se para propagar as vantagens do biodiesel. O Greenpeace, uma das organizações não-governamentais mais importantes e atuantes do planeta, entregou, recentemente, ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, um dossiê com estudos realizados sobre energias limpas e seguras. O Greenpeace, Fórum Brasileiro de ONG’s e os movimentos sociais propuseram aumento na participação das energias renováveis na matriz energética brasileira. O documento conta com a colaboração de 13 especialistas do Brasil.

O biodiesel surge como alternativa às consideradas energias “sujas” (nuclear, carvão mineral e petróleo) e traz consigo uma série de vantagens como assegurar a sustentabilidade da geração de energia a longo prazo reduzir as emissões atmosféricas de poluentes criar novas oportunidades de emprego, diminuir o desmatamento.

Energias renováveis (solar (fotovoltaica e térmica), biogás (de lixo, esterco ou esgoto), biomassa (restos agrícolas, serragem, biodiesel, álcool e óleo in-natura), eólica (vento) e pequenas centrais hidrelétricas) são inesgotáveis, não agridem o meio ambiente e não provocam grandes impactos socioambientais.

Em Campo Grande, a discussão ainda é recente. Para o fundador da ONG PratiquEcologia, Fernando Augusto Villalba, o biodiesel é o grande desafio para este milênio como forma de geração de combustível alternativo. “O biodiesel é a ponte para o combustível do futuro, que é o hidrogênio”, afirma o ambientalista. Apesar de a temática ser importante, ainda depende de muita pesquisa e de estudos a respeito da viabilidade socioeconômica da região. Um embrião já foi concebido para a produção do biodiesel em Mato Grosso do Sul. Trata-se de uma esmagadora de mamona no Pólo Oeste da Capital, que deve gerar cerca de 50 empregos diretos.

Dados do Programa Nacional de Produção e Uso do Biodiesel, do Ministério do Desenvolvimento Agrário, apontam que, hoje, 25 mil famílias trabalham com o biodiesel no País. Esse número deve triplicar em um prazo médio de cinco anos, segundo Fernando Villalba. Para ele, não há tanto uso do biodiesel devido à questão econômica, principalmente, aos altos preços do petróleo. “Devemos incentivar o surgimento dos eco-empresários”, salienta. Villalba ainda critica a falta de apoio e de incentivo governamentais. “Temos de unir forças para influenciar as políticas públicas efetivas”, esclarece o defensor do combustível verde.

O que é biodiesel? – Óleos vegetais modificados para geração de eletricidade, que podem substituir total ou parcialmente o diesel em motores ciclo-diesel, sem necessidade de adaptação. Podem ser obtidos por craqueamento (transformação por ruptura – quebra) e por transesterificação (reação entre óleo vegetal e álcool em meio ácido ou alcalino, também conhecida como alcoólise). As oleaginosas mais comuns para a obtenção do biodiesel são a mamona, girassol, amendoim, algodão, soja e colza (canola).

Onde é empregado? – Na Europa, emprega-se a oleaginosa colza para obtenção do biodiesel. A indústria de motores apóia a mistura de 5% de biodiesel ao óleo diesel mineral, mas alguns fabricantes chegam a dar garantia de bom funcionamento com até 30%.

Na França, toda a frota de ônibus urbanos emprega uma mistura que varia de 5% a 30% de biodiesel.

No Brasil, estudos sobre o tema datam de 1975. Na época, o Proóleo (Plano de Produção de Óleos Vegetais para Fins Energéticos) realizava estudos empregando óleo de soja e metanol. Em 1998, a Resolução 180, da Agência Nacional do Petróleo (ANP), normatizou testes necessários para a homologação de combustíveis não-especificados, como o biodiesel. Atualmente, várias instituições desenvolvem atividades com o biodiesel. A UFPR (Universidade Federal do Paraná), por exemplo, estuda a aplicabilidade do grão de soja e do buriti.

Fonte: http://www.metropolenet.com.br
Edição nº 67
Dezembro de 2004