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Manejo do solo e água com o uso da agricultura biossalina: uma nova tecnologia para o semiárido Pernambucano

Resumo

Nova forma de manejo do solo e da água com a nova tecnologia por meio da agricultura biossalina, que se trata do cultivo de plantas forrageiras irrigadas com água de poço salinizada, uma iniciativa que está sendo realizada entre o Instituto Agronômico de Pernambuco (IPA) e Embrapa Semiárido (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária), para auxiliar os pequenos agricultores e pecuaristas que vivem em regiões de seca como a do sertão do semiárido no Nordeste do Brasil. O objetivo deste projeto tem sido capacitar os agricultores das comunidades do Nordeste que são mais atingidos pela seca, e que já possuam poços, a trabalharem com a nova tecnologia da agricultura biossalina, afim de que apresentem interesse nessa inovação, produzindo alimentos básicos e forragens, para criarem seus animais, além de promover a sustentabilidade e restauração do bioma local que é o da Caatinga.

Introdução

Para o sucesso de qualquer atividade ligada à agropecuária é fundamental a existência de água. Porém os produtores do sertão do Nordeste sofrem com a escassez da água.

Entretanto surge uma tecnologia que pode ajudar muitos agricultores e pecuaristas a continuar trabalhando, mesmo nos períodos de seca prolongada.

Aqueles que vivem e produz no sertão ou no semiárido nordestino sabe que a seca faz parte do clima desse pedaço da região Brasileira. Em geral, nos anos normais, chove apenas três, quatro meses por ano. Mas de tempos em tempos, a seca se prolonga.

A vegetação da Caatinga ocupa uma área de aproximadamente 850.000 km², cerca de 10% do território nacional, porém é considerado como o bioma brasileiro mais fragilizado.

O semiárido brasileiro abrange 70% da área do Nordeste. A região é coberta por solos rasos de baixa fertilidade e caracterizada pela ocorrência da vegetação nativa da Caatinga. Essa região possui uma grande área de manancial de água salobra subterrânea, tornando crescente o uso da dessa1inização da água para o consumo humano, através do processo de osmose inversa. A chuva irregular nessa região faz com que água seja um bem precioso e raro.

Os agricultores sertanejos estão sempre em busca de alternativas para continuar trabalhando nos períodos de seca. Mas encontrar água no subsolo nem sempre resolve o problema.

Uma estimativa feita pela Embrapa, estima que haja pelo menos, 200 mil poços perfurados em todo semiárido nordestino. Mas a maior parte dessa água não vem sendo usada por causa da qualidade. Por ser uma água salobra, ou seja, com sal. Porém através da Biossalina estão aprendendo utilizar de forma sustentável esta água salobra em favor da agricultura e até mesmo para os animais.

Entretanto, o uso dessa tecnologia pode trazer impactos ambientais severos devido à dificuldade de se fazer um aproveitamento sustentável do rejeito que é formado durante a dessalinização (SILVA et al., 2009).

As espécies nativas da Caatinga têm como características em comum a resistência ou tolerância aos estresses por calor e seca (SILVA et al., 2008; 2010), e apresentam como estratégia de sobrevivência a rápida regeneração de suas estruturas aéreas tão logo surjam às primeiras chuvas, sendo estas características agronomicamente desejáveis, para algumas espécies.

Adicionalmente, muitas espécies vegetais da Caatinga possuem também tolerância à salinidade (LOPES et aI., 2007 a,b; Ribeiro et aI., 2010).

Esta nova tecnologia por meio da biossalina tem trazido muitos benefícios para as regiões de seca, porém está sendo bastante monitorada, pois o seu manejo deve ser de forma sustentável e correta, para que não haja efeitos contrários e acabe a vim causar impactos ambientais de degradação e desertificação ao solo que recebe essa água.

Desta forma percebe-se a importância das geotecnologias voltadas para o monitoramento das áreas, pois a exploração racional dos recursos naturais, como inventários e manejos sustentáveis, é cada vez mais necessária, pois sua rápida exploração aumenta gradativamente os índices de degradação em escalas local, regional, nacional e global, gerando empobrecimento, erosão e compactação dos solos, além de diminuir os níveis socioeconômico e tecnológico da população rural (RIBEIRO; CAMPOS, 2007).

Segundo o agrônomo Tony Jarbas (2017) que é doutor em solos e pesquisador da Embrapa semiárido, em Petrolina, explica que a presença de sais na água se deve à formação geológica dessa região. São rochas cristalinas e essas rochas contêm na sua estrutura cristalográfica cloretos e elementos químicos que levam a formação de sais.

Então, quando essa água entre em contato com essas rochas, que o intemperismo se inicia, esses sais são liberados e vão ficar nessas águas subterrâneas em todo semiárido.

A água salobra é composta por diversos tipos de sais, como o cloreto de sódio, que tem no sal de cozinha, além de cálcio, magnésio e potássio, por exemplo. Tem o gosto bem ruim, às vezes não dá nem para beber, mas em geral os animais tomam, porém se o teor de sódio for alto, isso pode gerar sérios problemas de saúde para o rebanho. O uso dessa água na irrigação de lavouras é uma grande ameaça para o meio ambiente, por isso é necessário o manejo de forma correta.

Diante disso, objetivou-se com este trabalho avaliar se as áreas do Sertão e do Semiárido de Pernambuco e Paraíba tem se adaptado a essa nova tecnologia e os benefícios trazidos por ela, através de dados fornecidos pela Embrapa.

Autores: Cavalcanti, RST; Cavalcanti, MLC e Coelho Junior, LMC.