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Ácido sulfúrico o reagente invisível que ganhou protagonismo na mineração

Ácido sulfúrico: o reagente invisível que ganhou protagonismo na mineração

Minerais críticos ampliam a demanda pelo produto, essencial na produção de níquel, cobalto, lítio e terras raras

Terras raras e outros minerais estratégicos estão presentes em uma ampla variedade de produtos e tecnologias. São utilizados em chips de celulares, motores de veículos elétricos, turbinas eólicas, equipamentos de defesa e ímãs permanentes, entre outras aplicações. A expansão dessas cadeias chama a atenção também para um insumo menos conhecido, mas fundamental em diferentes etapas do processamento mineral: o ácido sulfúrico.

O produto, amplamente utilizado pela indústria, vem adquirindo importância adicional à medida que cresce de minerais considerados críticos para a transição energética e para o desenvolvimento de novas tecnologias.

Na mineração, o ácido sulfúrico é um insumo crítico na lixiviação de minérios para a extração de metais estratégicos. No processo HPAL, sigla em inglês para High Pressure Acid Leach, ou seja, lixiviação ácida sob alta pressão, são consumidas entre 4 e 6 toneladas do reagente por tonelada de metal produzido.

Na extração de lítio a partir de espodumênio, o ácido é utilizado em etapas de conversão e purificação. Já no beneficiamento de terras raras, participa do tratamento químico de determinados concentrados e da separação de elementos. A demanda incremental desses setores, impulsionada pela transição energética e pela expansão das baterias para veículos elétricos, compete por volumes de ácido sulfúrico que tradicionalmente atendiam mercados como fertilizantes fosfatados, tratamento de água e síntese química.

“O avanço da transição energética e o fortalecimento da cadeia de minerais críticos reforçaram o caráter estratégico da indústria química e de componentes como o ácido sulfúrico. E, embora o Brasil disponha de capacidade instalada suficiente para atender grande parte da demanda nacional, o setor vem enfrentando um cenário de aumento de custos”, explica o gerente de Economia e Comércio Exterior da Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim), Eder da Silva.

Enxofre mais caro pressiona diferentes cadeias

O enxofre é uma das principais matérias-primas para a produção do ácido sulfúrico. Como o Brasil, assim como outros países, depende de importações para atender parcela relevante de seu consumo, as oscilações do mercado internacional afetam diretamente os custos da indústria nacional.

Atualmente, o país importa cerca de 85% do enxofre consumido domesticamente. Em abril e maio de 2026, as cotações do enxofre na modalidade CFR (Cost and Freight) Brasil, que inclui o custo do produto e do frete até os portos brasileiros, alcançaram um dos maiores níveis da série histórica. Entre os fatores de pressão estiveram as restrições de oferta no Oriente Médio, principalmente devido às tensões logísticas no Estreito de Ormuz, e à demanda incremental da Ásia.

Essa alta influencia várias cadeias produtivas brasileiras demandantes dos minerais críticos, como a indústria automobilística e as suas baterias de veículos elétricos. No agronegócio, um dos reflexos é o encarecimento do enxofre – e consequentemente do ácido sulfúrico, influência na cadeia de fertilizantes fosfatados.

Demanda por minerais pressiona mercado de ácido sulfúrico

Segundo Eder Silva, existe um paradoxo na questão dos custos em toda a cadeia de minerais críticos. Ele explica que o movimento ocorre no sentido inverso: o crescimento acelerado da produção de minerais críticos tem aumentado significativamente a demanda por ácido sulfúrico. Como esses projetos costumam disputar o insumo oferecendo preços mais elevados para garantir o abastecimento, acabam exercendo pressão sobre o mercado internacional, influenciando tanto os preços quanto a disponibilidade do produto.

“Em outras palavras, não é a escassez de ácido sulfúrico que está elevando os custos da cadeia dos minerais críticos. É justamente a expansão dessa cadeia que tem contribuído para o redesenho do mercado global de ácido sulfúrico, com impactos sobre preços e oferta”, afirma.

Segundo o engenheiro de vendas sênior da Metso, José Malaman, uma das explicações está no fato de que a escassez de enxofre elementar, usado como matéria-prima para a produção de ácido sulfúrico, não tenha atingido os patamares que se imaginava. Isso deve-se ao fato de que uma das fontes para obter enxofre elementar de boa qualidade é o refino do petróleo bruto, por meio da dessulfurização, algo que vem sofrendo instabilidades provocadas pela própria transição energética e, nos últimos tempos, por conflitos e tensões geopolíticas.

Em sua forma concentrada, é um líquido viscoso, incolor, inodoro. A mistura em água produz uma grande quantidade de calor. O produto também é altamente corrosivo e pode provocar queimaduras graves, exigindo procedimentos rigorosos de armazenamento, transporte e manuseio. Ele também é higroscópico, absorvendo vapor d’água do ar prontamente.

Historicamente, a produção e o consumo de ácido sulfúrico são associados ao grau de industrialização de um país. Isso ocorre porque o composto é amplamente empregado em setores de grande relevância econômica, como fertilizantes, mineração, metalurgia, refino de petróleo, indústria química e tratamento de água.

Nos debates sobre a resiliência das cadeias globais de suprimento de minerais críticos, especialmente diante da crescente demanda impulsionada pela transição energética e pelas tecnologias de baixo carbono, o reagente adquiriu uma posição central. Nesse contexto, a disponibilidade e o custo do ácido sulfúrico deixaram de representar apenas uma questão operacional e passaram a influenciar a competitividade, a segurança das cadeias de suprimento e a viabilidade econômica de projetos minerais.

Fonte: Radar Mineração


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